Pressionados, vereadores recuam


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<B>CLIMA QUENTE NA VOTAÇÃO</B> - O vereador Silas Cuba fala aos companheiros ontem na Câmara de Franca: número de assessores segue dando dor de cabeça.
<B>CLIMA QUENTE NA VOTAÇÃO</B> - O vereador Silas Cuba fala aos companheiros ontem na Câmara de Franca: número de assessores segue dando dor de cabeça.
Após tentarem aprovar a destinação de recursos para dobrar o número de assessores particulares, há uma semana, e serem alvos de pesadas críticas, os vereadores cederam à pressão. Na sessão de ontem, a Câmara recuou e retirou a polêmica emenda prevista para ser votada no PPA (Plano Plurianual). Por mais simples que pudesse parecer, a retirada da proposta voltou a explicitar a crise pela qual passa o Poder Legislativo local. Graciela Ambrósio (PP) se recusou a votar. Marcelo Valim (PSDB) contrariou decisão da presidência e exigiu que a votação fosse nominal. Votou contra a retirada e abandonou o plenário como forma de protesto. “Não vou ficar aqui, não. Vocês deveriam ir até o fim. Vai ficar feio recuar agora”. Os vereadores usaram boa parte do expediente - momento em que vão à Tribuna para abordar assuntos de livre escolha - para falar sobre a tentativa frustrada de aumentar os assessores. Atacaram a cobertura feita pela imprensa. “Trenzinho da alegria é a mãe dele. Palhaço é a mãe deste safado que falou mal desta casa. Esta casa tem moral. Nunca roubou”, esbravejou Josivaldo Bahia (PTB), sem citar o jornalista alvo de sua ira. Paulo Afonso Ribeiro (PT) disse o nome de quatro repórteres que ele gosta e, sem dar nomes, disparou contra outros. “Tem uns que vêm aqui na Câmara dar tapinha nas costas dos vereadores e, depois, vai fazer a destruição das pessoas e dos profissionais que aqui trabalham”. Minutos depois de fazer o desabafo, o petista assistiu atônito de sua mesa mais um festival de trapalhadas dos seus colegas de plenário. Eram 18h50 quando começaram as votações. A emenda dos assessores ganhou o número 98 no PPA. Para que a proposta não fosse votada na calada da noite, Jepy Pereira (PSDB) requereu a inversão da pauta para que ela fosse a primeira. Em seguida, pediu sua retirada. O presidente da Câmara, Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), fez a votação simbólica do pedido (sem o voto dos vereadores) e proclamou o resultado favorável. Marcelo Valim (PSDB) se irritou. “Não pedi a retirada e exijo que seja feita a votação nominal”. Joaquim disse que não era mais possível, pois ninguém fez o requerimento em tempo. Jepy criticou o companheiro de partido, sugerindo que ele não teria se atentado à votação. “É só você permanecer na sua mesa”. Laércinho foi além. “Você está escapando marcha (sic), Valim”. O radialista bateu o pé e exigiu a votação nominal. Foi atendido. Ele votou contra a retirada e Graciela se recusou a votar. Os outros 13 vereadores disseram sim. “Quem vai querer manter esta emenda?”, questionou Laercinho. Sepultado o assunto assessores, a votação das emendas ao projeto de lei do PPA 2010/2013 seguiu sem discussões e foi encerrado às 21h35. Das 123 propostas apresentadas, 71 foram aprovadas e 27 rejeitadas. As demais, foram retiradas ou prejudicadas. Todas as 24 emendas de autoria de Graciela Ambrósio foram rejeitadas. “Eles prejudicaram não a mim, mas a população”. O PPA é a base legal para o município prever as diretrizes, objetivos e metas orçamentárias para os quatro anos seguintes. A execução das propostas aprovadas depende da disponibilidade financeira da Prefeitura.

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