Senhoras e senhores! Respeitável público! Hoje tem espetáculo. Por enquanto, ainda na Av. Presidente Vargas, esquina com a Rua Capitão Anselmo. Antes, era o Estádio Fulgêncio de Almeida. Com a baixa do futebol, alugaram o espaço para o Circo do Vitrolinha por muitos anos. Depois, construíram a Câmara Municipal.
Tempo bom aquele. Só não havia espetáculo na segunda-feira. Nos outros dias da semana, a troupe entrava em ação para oferecer muita diversão. O coração vinha à boca da platéia, quando um fundo musical apropriado invadia o picadeiro e o trapezista pegava o ascensor. Da lenta escalada até a plataforma do trapézio,uma emoção apreensiva invadia o mágico ar circense.
A Câmara, ao contrário, tem sessões apenas na terça-feira. Os demais dias da semana são destinados a contatos imediatos com as bases. Entenda-se por bases: velório, batizado, casamento, aniversário, jogo de futebol de várzea, corrida de cavalo, missa, culto, leilão, fila de banco ou do INSS, corredores da Prefeitura, feira livre, feirão de carros e qualquer local com aglomeração de possíveis eleitores.
Aliás, os vereadores podem ir até a Ciretran. Essa se tornou uma base vaga nesta legislatura. As filas do órgão estadual de trânsito estão abarrotadas de possuidores de título eleitoral. Um pouco de blábláblá pode ajudar na campanha de 2012. Está longe? De jeito nenhum. Três anos passam por entre os dedos.
A prova está na vontade dos vereadores em contratar assessor-adjunto. A penúltima edilidade instituiu o cargo de assessor. Cada vereador contratou um, sem concurso. Esse funcionário, pela própria denominação, é um adjunto do parlamentar. Na ausência deste (e põe ausência nisso!), o assessor responde pelo edil. Faz as vezes de um cabo eleitoral permanente. Recebe o munícipe na Câmara. Ouve e anota os mais diversos pedidos. Arquiva os dados pessoais e o endereço para um futuro contato eleitoral.
Somente um assessor não está dando conta da campanha eleitoral antecipada e ininterrupta. Os vereadores propuseram a criação do cargo de assessor-adjunto. Noutras palavras, querem um adjunto para o adjunto (assessor significa adjunto). Vislumbraram a legalização de uma prática de parte da legislatura passada.
Quem se esqueceu de que vereadores usavam a verba de pagar um assessor para contratar dois, pelo salário de um? Tudo por baixo do pano! Ou da lona?
Chega de usar espeto de pau. Se a Câmara tem por objetivo criar leis, então, nem que seja na calada da noite, apresentou-se uma emenda para a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). A votação e a aprovação, na terça-feira passada, teriam possibilitado elevar, ou seja, fazer subir ainda mais o poder de campanha eleitoral durante o mandato. Com isso, o assessor ficaria postado na Câmara. Já o adjunto do adjunto ocuparia as bases externas.
Se a proposta de emenda para contratação de assessor-adjunto voltar hoje à Câmara, o ideal seria que os vereadores também acrescentassem o cargo de ascensorista individual. Mesmo que não haja ascensor (elevador) no novo prédio da Câmara, já fica garantida a futura função.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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