O crescimento acelerado do número de mulheres com carteira assinada fez com que o mercado de trabalho em Franca sofresse uma significativa mudança nos últimos anos. Há dez anos, as mulheres representavam 35,6% dos 41.489 mil trabalhadores registrados na cidade (enquanto os homens representavam 64,4%). Atualmente, o percentual de mu-lheres corresponde a 42,8% dos 69.672 trabalhadores de Franca e, os homens, a 57,2%.
Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, mostram que em 1998 o total de traba-lhadoras com carteira assinada não chegava a 14,8 mil. No ano passado, esse total chegou a 29.873 mulheres; um crescimento de 102,8%. Nesse mesmo período, o número de homens com carteira assinada aumentou 48,7% (de 26.759 para 39.799).
O crescimento do número de mulheres no trabalho foi puxado principalmente pelos setores comercial e de serviços. “São dois setores que tendem a empregar mais mulheres em razão de exigirem mais delicadeza e simpatia, característica predominantes no sexo feminino”, disse o professor pesquisador e coordenador do Ceder (Centro de Estudos de Desenvolvimento Regional) da Unifran (Universidade de Franca), Agnaldo Souza Barbosa. No ano passado, pelo levantamento da Rais, havia 4.618 mulheres com ensino superior completo ante 2.948 homens com uma faculdade ou universidade concluída (veja matéria de apoio).
Somente no setor de serviços são 9.132 mulheres empregadas, montante superior ao total de homens inseridos nesse segmento (7.899). Uma das explicações pode ser a grande quantidade de prestadoras de serviços relacionadas a beleza, confecção, limpeza e alimentação. É comum também uma alta parcela de mulheres em estabelecimentos como lojas de roupas, calçados, restaurantes e supermercados.
Para Agnaldo, a mudança na composição da estrutura familiar impulsionou a entrada delas no mercado de trabalho, pois, a cada dia, um número maior de mulheres têm se tornado arrimo de família ao assumirem sozinhas a criação dos filhos e o sustento da casa.
Em algumas empresas há até benefícios exclusivos voltados a auxiliar as trabalhadoras. A rede varejista Magazine Luiza, por exemplo, oferece o chamado cheque-mãe para as funcionárias, qualquer que seja a área em que atuam, que são mães de crianças de 6 meses a 10 anos e 11 meses. Elas recebem R$ 250 mensais a mais no salário para ajudar na educação e nos cuidados com os filhos. No Magazine, 51% do total de 14.062 funcionários são mulheres, muitas em cargos de liderança.
Outro fator que contribuiu para a maior inserção das mulheres no mercado, segundo Agnaldo Barbosa, tem relação com a necessidade delas também comporem a renda doméstica. “Como muitos maridos têm ficado desempregados ou com um salário insuficiente, as mulheres tomaram a iniciativa de ir a campo para ajudar na renda de casa”, disse o coordenador do Ceder.
Aline Sampaio, 37, secretária, se separou do marido há oito anos. Mãe de um filho de 10 anos viu que para criá-lo precisaria trabalhar fora, pois somente a pensão alimentícia seria insuficiente no pagamento de todas as despesas. “Enquanto fiquei casada fui dona de casa, mas depois as responsabilidades ficaram maiores. Sozinha tive que sustentar a casa. Por isso a saída foi trabalhar”. Aline é formada em administração de empresas.
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