Para promotor, escritório era uma espécie de ‘QG do crime’


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O promotor Joaquim Rodrigues Rezende Neto atuou na acusação que culminou com a condenação de Adriana Telini pelo crime de associação para o tráfico de drogas. Comércio da Franca - Como o senhor avalia a sentença? Joaquim Rezende - Nós já esperávamos esta condenação por conta do volume de provas que havia nos autos do processo criminal. As interceptações telefônicas feitas pela Polícia Civil não deixaram dúvidas de que a Adriana fazia parte de uma organização criminosa voltada para o tráfico de drogas. Várias conversas foram interceptadas, não só do escritório da Adriana, mas até do seu celular de uso pessoal, que emprestava para um integrante. Por sua vez, ele mantinha contato com o cabeça da organização, que estava preso em Mirandópolis. Comércio - O MP tem a informação se os criminosos condenados pertencem ao PCC? Joaquim Rezende - Com certeza, tanto o Aloísio como Evandro, pertencem. Os demais nós não sabemos. Sabemos que a Adriana Telini tem contato muito próximo com os integrantes desta organização criminosa. Se ela é considerada, ou não, integrante do PCC ou de qualquer outra organização que atua dentro e fora dos presídios, não sabemos. Comércio - Adriana prestava serviço para membros da quadrilha que foram condenados? Joaquim Rezende - Sem dúvida nenhuma. Foram interceptadas conversas em que o Aloísio foi até o escritório dela e, dali, manteve contato telefônico com o Evandro que estava preso. Em outras interceptações, ela própria manteve contato com o Evandro para perguntar a ele onde estava enterrada determinada droga. Foram várias conversas comprometedoras. Além disto, ela dava uma espécie de assistência jurídica aos integrantes da quadrilha. Chegou a orientar um adolescente a assumir a responsabilidade de um crime de homicídio que não havia cometido, para tentar livrar o filho de um cliente que era investigado. Comércio - O escritório da advogada funcionava como um local de encontro dos criminosos? Joaquim Rezende - Sem dúvida nenhuma. Era o QG da organização criminosa. Foram várias as conversas mantidas entre os integrantes no escritório e no celular da Adriana. Não temos qualquer dúvida que ela tinha ativa participação na organização. Comércio - Por que ela pegou dois anos de reclusão? Joaquim Rezende - O juiz entendeu que, pelo fato de ter prestado depoimento na CPI, faria jus aos benefícios da delação premiada. Por isto a pena foi reduzida. Apenas neste tópico da sentença nós não concordamos. Em nenhum momento ela se demonstrou colaboradora. A própria defesa não requereu este benefício. Por isto vamos recorrer ao TJ para que a pena seja fixada no mínimo em três anos.

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