Surge mais um sindicato dos sapateiros em Franca


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Uma nova entidade para representar os sapateiros deve ser criada no próximo dia 5: o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Franca. Uma assembléia geral obrigatória para a fundação da entidade foi convocada através de edital publicado no Comércio na edição de terça-feira. O documento revela os nomes dos responsáveis pela iniciativa: Belchior Mariano da Silva, Denílson de Carvalho e José Alves Barbosa - este último como representante legal da comissão organizadora - e o endereço provisório da entidade: Rua Capitão Anselmo, 1539, no Cidade Nova. Mas as informações param por aí. Os membros da comissão decidiram guardar segredo não só sobre a reunião, o sindicato, seu objetivo ou formação, mas também sobre suas próprias identidades. O único do trio a atender a reportagem na tarde de ontem foi o ex-diretor do Procon e ex-petista Denílson de Carvalho. “Vamos esperar a realização da assembléia e a criação do sindicato de fato para falarmos sobre o assunto. Também não estou autorizado a passar informações sobre quaisquer dos integrantes da comissão”, disse ele. A assembléia marcada para o dia 5 de setembro deve definir qual a base territorial do novo sindicato e quais categorias ele deve representar, elaborar seus estatutos e eleger sua diretoria e conselho fiscal. Tendo por base o edital publicado, as pretensões da nova entidade não são poucas. Ele convoca os trabalhadores de 38 categorias (de lingeries, capas de chuvas, chapéus e confecções de diversos tipos a praticamente todas que integram o processo de fabricação de calçados, como de modelagem para calçados, de pré-fresados, de saltos de madeira e de calcanheiras) das cidades de Aramina, Buritizal, Cristais Paulista, Guará, Igarapava, Itirapuã, Ituverava, Jeriquara, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente, Rifaina, São José da Bela Vista e, claro, Franca. O novo sindicato deve ser criado em um momento crítico para o setor. Os sapateiros já são disputados por duas instituições diferentes que travam uma batalha de anos na Justiça para definir quem pode representar os trabalhadores das indústrias de Franca. <b>OS OUTROS</b> O petista Paulo Afonso Ribeiro - presidente do sindicato que atualmente representa os sapateiros, mas que sofreu sucessivas derrotas judiciais e está prestes a perder sua legitimidade - diz conhecer os organizadores da nova entidade, que classificou como “pessoas idôneas”. Quanto a possibilidade de ter mais um concorrente na luta pelo comando da categoria, o sindicalista também preferiu esperar antes de falar com a imprensa. “Teremos uma reunião de diretoria amanhã à tarde e com nossos advogados na sexta pela manhã. Só depois falaremos sobre o assunto”, afirmou Paulo Afonso. Procurado pelo Comércio, Fábio Cândido, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados no município de Franca - que espera a liberação da Carta Sindical pelo Ministério do Trabalho para a entidade passar a representar a categoria em Franca - afirmou através de seu advogado Luís Carlos Timóteo que a iniciativa não o preocupa. “Não faremos nada. Não tomaremos nenhuma medida judicial para impedir ou mudar o resultado da assembléia. O Fábio acredita que o sindicato que ele preside não será afetado”, disse Timóteo. Consultado, o gerente regional do Ministério do Trabalho em Franca, Jamil Leonardi, afirmou que não há como as três entidades representarem os mesmos trabalhadores. “Apenas um sindicato pode representar determinada categoria em determinado território. Eles não podem coexistir”, sentenciou ele.

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