Um ano, dois meses e sete dias completa hoje a lei que todos esperavam fosse trazer a paz às nossas estradas e ruas, verdadeiros palcos de guerra onde o número de mortos e mutilados é maior do que o de muitos lugares em guerra.
Desde 20 de junho do ano passado, os motoristas flagrados depois de beber estão sujeitos a multa e suspensão da carteira de habilitação por 12 meses, além de prisão nos casos mais graves.
A relação do brasileiro com o carro é um misto de orgulho e poder. Dentro do veículo o cidadão esquece que é também um pedestre e acredita que nada mais importa para ele do que chegar primeiro seja qual for o método utilizado. Assim, regulamentos, sinais, apelos tudo isso pesa pouco diante da sensação ilimitada de liberdade e impunidade que se esconde atrás do volante.
Vários fatores concorreram para que a chamada Lei Seca não obtivesse o que dela se esperava. Depois de um período de choque em que todos ficaram atentos ao consumo de álcool por motoristas veio o consequente relaxamento e o que era para ser obedecido passou a ser esquecido. Concorreu para isso nossa tradicional aversão a regulamentos e ordens, a pouca preparação da polícia de trânsito e a corrupção que faz do nosso sistema policial um alvo vulnerável em qualquer frente. Gratificar o guarda sai mais em conta do que pagar a multa. Com isso, quem tinha dinheiro se safou.
Em Franca, os números mostram que os acidentes envolvendo carros e motos aumentaram. Ou seja, por aqui a Lei Seca molhou-se completamente no vendaval de falta de vontade política, equipamentos reduzidos, salários aviltados, tudo isso concorrendo para que esperada mudança de hábito não se concretizasse. Bares que instalaram serviços de táxis para levar os clientes até em casa logo desistiram dessa inovação, pois todos que bebiam preferiam dirigir, absolutamente certos de uma impunidade absoluta.
E o número de mortes cresce, muitas delas motivadas pela explosiva mistura de álcool com direção que já provou não ser a ideal. Só neste fim de semana, seis pessoas sofreram ferimentos em três acidentes ocorridos em Franca. Lamentavelmente, mais uma lei que não `colou`, como pode acontecer com a Lei Antifumo, decretada e promulgada pelo governador do Estado de São Paulo, José Serra. Na realidade, o governo quer mesmo acabar com o tabagismo e, com ele, a rendosa indústria dos cigarros? Tenho cá minhas dúvidas. Se por um lado é saudável e politicamente correto lutar contra o tabagismo, por outro os cofres públicos se abastecem do gordo imposto cobrado sobre cigarros e outros artigos relacionados, o que faz com que sempre que se dê uma martelada no cravo, seja dada outra na ferradura. Eu sou contra medidas punitivas e restritivas por implicância. Não há nada de errado em desestimular o hábito de fumar, mas na forma de campanhas meramente educativas, e não como uma guerra que está apenas esperando ser coroada com a manchete `Vitória` nas páginas dos jornais.
Acreditar na fiscalização em bares e restaurantes, com poucas pessoas trabalhando, como acontece em Franca, é difícil. Ou são adotadas medidas firmes ou essa lei não vai vingar, como ocorreu com a Lei Seca. E podem me cobrar. O cigarro vai continuar agradando e matando, tudo lentamente, como é lenta a percepção do governo de que, com as atuais medidas, ficaremos como o inferno, cheio de boas intenções, mas mesmo assim, inferno.
<b>CIRCULA NA INTERNET</b>
Todo mundo pensando em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?
<b>DESAPARECIDO</b>
Alguém viu o Belchior por aí? Não? O desaparecimento do bigodudo compositor e cantor é a novidade de nossa música popular. Se for uma jogada de marketing, bateu na cabeça.
<b>NEGATIVO</b>
Cresce em Franca a reclamação dos usuários de planos de saúde contra a espera para marcar consultas e atendimento no consultório. Os planos agigantaram sua clientela sem fazer o mesmo com os médicos. Resultado: temos agora um SUS elitizado.
<b>POSITIVO</b>
Consagrado em Franca por uma carreira de mais de meio século entre tintas e pincéis, o artista plástico Hélio Tasso, inaugura, no dia 3 de setembro, às 20 horas, a exposição Arte/Reflexão II, na Pinacoteca "Miguel Ângelo Pucci". Nessa mostra, que tem o apoio da Prefeitura de Franca e da FEAC, o pintor apresentará diversas telas que dão noção de seu estilo eclético, mas com forte tendência figurativista, em que a simetria, a criação da atmosfera e a recriação da vida em imagens realistas são essenciais, sob a forma de retratos, naturezas-mortas, paisagens e a `psicossoarte`. A Pinacoteca "Miguel Ângelo Pucci" fica na Rua Campos Salles, 2210, no Centro de Franca. A exposição de Hélio Tasso está aberta à visitação pública de segunda a sexta-feira das 8 às 20 horas e aos sábados, das 9 às 13 horas.
<b>CONSULTA</b>
O açougueiro entra no escritório do advogado e pergunta: “doutor, se um cachorro solto na rua entra no açougue e rouba um pedaço de carne, o dono da loja tem o direito de reclamar ao dono do animal”? Claro, respondeu o advogado. "Então o senhor me deve 30 reais, pois seu cão entrou no meu estabelecimento e comeu um pedaço de filé". O advogado pagou e, dois dias depois, mandou uma carta ao açougueiro cobrando 200 reais pela consulta.
<b>Edward de Souza</b>
<i>Jornalista e radialista</i>
edward@comerciodafranca.com.br
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