Nas ruas do Garimpo do Bandeira todo mundo sabe como tudo começou, como os primeiros diamantes foram encontrados. O personagem central dessa história ainda vive no local, tomando conta de um pequeno açougue, um comércio simples, instalado no centro da vila. Aladin da Silva Ramos teria sido quem primeiro encontrou uma pedra de diamante no Córrego do Matão, em 1943. Depois disso, o destino do lugar foi alterado definitivamente.
Mais conhecido por Zizico, este senhor de 75 anos, falante e sorridente, conta que estava pulando o córrego para levar comida ao pai, José Teotônio, trabalhador da roça, quando viu uma pequena pedra de brilho muito intenso no fundo da água.
Com 11 anos à época, Zizico pegou a pedra e a entregou ao pai, que a levou para um conhecido da família que, por sua vez, a mostrou para um garimpeiro que já morava na região. No veredicto desse último, era, sem dúvida, um diamante, mas de pouco valor, conhecido por “chibiu”.
Aladin, cujo nome foi dado por um padrinho que gostava de contar histórias, disse que a partir do momento que a pedra chegou a um comprador, apareceram os primeiros garimpeiros para explorar a área. “Em três dias eles já tinham achado muito diamante aqui. A notícia correu tanto que começaram a chegar dois, três caminhões cheios de garimpeiro por dia na vila. Ergueram as primeiras casas e foi assim que a coisa se iniciou”.
Zizico, pais de 10 filhos “espalhados por aí”, como falou, hoje aposentado, apesar de ser o primeiro a enxergar um diamante no Bandeira nunca teve muita sorte com as pedras. Viveu da agricultura e conduzindo alunos em ônibus escolares.
Após as consecutivas ações federais que interditaram a área de garimpo, o seu morador mais antigo reclama da falta de opções de trabalho para quem quer ficar na vila. “Hoje estamos parados. Muitas pessoas já mudaram daqui porque não tem serviço. Quando o garimpo está funcionando um ajuda o outro. Se um não pega diamante o outro pega e vão se ajudando. Como é o caso agora de não ter vai todo mundo trabalhar na cana, na laranja, muda para Planura, Frutal. A vida aqui está devagar”, ponderou o velho morador.
Décadas atrás, quando pepitas de 40, 50 ou 70 quilates eram encontradas, a extração era feita sem nenhuma preocupação se a atividade era ou não proibida. “Agora chegamos ao ponto de paralisar nosso garimpo, que não é legalizado. Mas nunca ninguém se preocupou em legalizar. Para nós, nesses anos todos, estava tudo normal”.
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