De leitura a estacionamento


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Entre reformar e recuperar um imóvel para servir de centro de leitura à população ou destruir uma edificação pública e destinar o espaço a um estacionamento para carros, adivinhe qual seria a escolha de uma administração municipal? Em Franca, pelo menos, por uns tempos, optaram pelos veículos. Experimente contar a uma pessoa de outra cidade que o espaço ocupado pelo terminal de ônibus urbano tinha como construção um mercado municipal e uma rodoviária. Se for alguém de cultura mediana, vai se espantar com o fato. Espanto maior terá ao saber que, de início, os imóveis foram destruídos e o terreno deu lugar a um estacionamento público para carros. Em muitas cidades do mesmo porte de Franca ainda existem mercados municipais. A frequência de consumidores é das maiores. Chega a ser um ponto de encontro da população, principalmente aos domingos. E todo mundo gosta de circular pelos corredores, sorvendo aquele cheiro de frutas ou de fritura de pastéis. Alguns mercadões contam até com bancas de jornal. Normalmente, essas edificações de mercados municipais são muito parecidas na arquitetura. Os imóveis foram construídos quase na mesma época. Nas localidades em que o espaço deixou de servir ao comércio de produtos generalizados, as prefeituras reformularam os galpões e os transformaram em centros culturais. A ênfase maior dessas novas áreas recaiu sobre a leitura. Nessas cidades, há ainda a comodidade de funcionamento das bibliotecas nos finais de semana, com abertura também aos domingos e feriados. Nesse sentido, Franca caminha na contramão. Jogaram a rodoviária e o mercado no chão para virar estacionamento público. Depois, numa tímida reparação do mal, o espaço foi devolvido ao povo em forma de terminal de ônibus urbano. Mas (esmola demais, até o santo desconfia!), na mesma época, tiraram um pedaço da Praça Sabino Loureiro, com a finalidade de alargar os começos das Ruas General Carneiro e Voluntários da Franca. Com isso, a Praça da Estação também se transformou em um semiterminal de transporte coletivo. A sina de ceder parte do espaço público, destinado a pedestres, para ser transformado em estacionamento de carros continua. Recentemente, a praça localizada na bifurcação da Rua dos Pracinhas com a Av. Francisco Paula Quintanilha Ribeiro perdeu uma faixa de terra triangular. A área verde acaba de ser desfigurada. Virou estacionamento. Praticamente particular. Sim, isso mesmo, qualquer um nota que o estacionamento só vai servir aos comensais. Eles pouco andarão para chegar até as pistas frias ou quentes, instaladas confortavelmente do outro lado da rua. Muito menos comerão em prato feito ou por quilo. Servem-se sozinhos e à vontade. Já o povo, como de costume, come em casa mesmo. Depois, transita pelo local, queimando calorias, enquanto faz caminhada rumo ao Poliesportivo, agora, sem contar com o largo passeio público e parte da praça. Mais uma vez o carro ganha espaço destinado aos pedestres. Por sua vez, a vegetação perde. E quem lucrará com isso? Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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