Na região entre Frutal e Colômbia, o garimpo se dá de duas formas básicas. No seco, como o que Roberto estava trabalhando, caminhões trazem carregamentos de cascalho que são jogados em bicas, espécies de tanques cimentados em que uma mangueira de água de três polegadas vai levando paulatinamente esse material para dentro de uma caixa revestida com uma peneira. Com a força da água, o que for pedra e cascalho volta para o córrego. Se houver diamante, que é mais pesado, ele fica na caixa.
No dia em que a reportagem esteve no Garimpo Bandeira, ao menos três bicas, de seis existentes, localizadas a algumas dezenas de metros da praça central da vila, estavam com atividade de lavra.
O esquema de lavra e comercialização, seja um diamante (encontrado com frequência) seja uma turmalina ou outra pedra semipreciosa, segue regras éticas sacramentadas no fio do bigode, o que quer dizer que nenhum garimpeiro vai ficar com as pedras que encontrar. Se não repassá-las para o comprador com quem normalmente negocia, poderá não ter com quem tratar e ainda perder a confiança dos demais.
Supondo que encontre sua pepita, o garimpeiro fica com 50% de seu valor e ainda paga 5% para o dono da bica. Os outros 50% ficam com o dono da terra onde está a bica.
<b>ARRISCADO</b>
Sobre uma estrutura de madeira de cinco metros de largura por sete de comprimento e não mais que três de altura, até oito homens passam períodos indefinidos sobre o leito do Rio Grande succionando o fundo do lago formado pela hidrelétrica de Marimbondo.
As balsas são a segunda opção de extração. São embarcações frágeis, feitas sobre dois cilindros metálicos, na função de boia, abrigando camas e cozinha improvisadas, levada para o meio da represa que chega a ter 45 metros de profundidade.
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Nelas, homens usando escafandros e com pesos presos à cintura se arriscam mergulhando dia e noite, amparados por um precário sistema de oxigenação a partir de cilindros de ar. Conduzem uma mangueira que recolhe tudo o que encontra pela frente. Na embarcação, pedras e terra são descartados. O diamante, mais uma vez, se encontrado, é retido.
Após sucessivas ações de repressão, a maioria das balsas foi abandonada às margens da represa de Marimbondo e ao longo do Rio Grande.
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