‘Só queria mesmo o dinheiro’, diz interno


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Dos 70 meninos internados na Fundação Casa de Franca, 23 adolescentes têm 17 anos. D. é um deles. Filho de uma faxineira e um mecânico, é o mais velho de quatro irmãos. A família mora na região Oeste de Franca. D. estudou até a 7ª série. Comete crimes desde os 14 anos. D. disse que desejava ter dinheiro para satisfazer suas vontades, mas que está arrependido e quer mudar de vida. O menor cumpre medida por sequestro desde o dia 20 de julho de 2009. Comércio da Franca - Por que você se envolveu num sequestro? D. - Porque eu tive poucas oportunidades de arrumar um trabalho e, por embalo, me envolvi no crime e cometi esse ato infracional. Eu me envolvi com 14 anos e fiquei até hoje, aos 17. Me envolvi pelo dinheiro. Tive muitas vontades de ter as coisas e vi um lado mais fácil para isso, que era entrando no crime. Comércio - Como foi o momento do sequestro? D. - Me arrependi muito. Tive depressão. Nos momentos que eu ficava muito sozinho, me via amarrando a pessoa. Vinha os flashes de tudo que eu passei com a vítima. Foi no Paineirão. Eu levei a pessoa até uma residência e lá eu amarrei com uma algema. Só queria mesmo o dinheiro. Era um empresário. Fiquei uma hora com ele. Estava só eu. Sabia de cada passo dele, fui investigando antes de sequestrar. A gente conseguiu R$ 30 mil do resgate. Comércio - O que você fez com o dinheiro? D. - Esse dinheiro foi devolvido para ele. Comércio - Quais suas expectativas com o futuro? D. - Estou tendo uma experiência boa aqui na Fundação Casa. Têm muitas unidades de onde eu vim que não têm um tratamento como aqui, que pode levar o adolescente à uma nova vida. Se o adolescente quer mudar de vida, é uma oportunidade que tem para se agarrar. Já percebi que aqui só depende do adolescente. Cheguei aqui com pouca intenção de mudar de vida, mas vi que pode ter uma solução. Eu posso mudar de vida sim e estou tentando.

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