Minha vida


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Desde pequeno, quando ainda morava na zona rural de Franca, José Marques da Silva já sabia o que queria fazer pelo resto da vida: tocar violão. A paixão pela música erudita surgiu na mesma época, quando ele ouvia numa rádio carioca o programa "Quando as cordas se encontram", de Dilermando Reis e Valdir Azevedo, contrariando o seu destino que poderia ter sido a música sertaneja. Hoje, aos 70 anos, o carismático francano, que no seu percurso ensinou e revelou muitos talentos como o instrumentista Diego Figueiredo, recorda a sua história com o lançamento do primeiro CD e DVD Minha Vida. Sereno, José Marques recorda com emoção quando conheceu uma partitura, durante o primeiro curso de leitura musical. "Foi como se eu tivesse descoberto a América", brinca. Antes, tirava as notas "pelo ouvido". Quando decidiu estudar violão, uma vez por mês, num conservatório na capital, "foi um escândalo". "Minha família me apoiava, mas os vizinhos e o patrão dos meus pais achavam um absurdo", lembra. Em 1965, José Marques deixou o emprego de sapateiro para se dedicar às aulas particulares. Trabalhou durante sete anos no conservatório da Fundação Educandário Pestalozzi e em 1978 inaugurou a sua Academia José Marques. O violonista também recorda com orgulho os 15 anos que ficou à frente de um programa de música erudita em várias rádios de Franca. "Eu tocava ao vivo durante meia hora por semana. No final dos anos 60, cheguei a fazer trilha sonora para as radionovelas", afirma. Nesses anos todos, José Marques optou por tocar apenas violão. "Violão é muito complexo. Você estuda e sempre está faltando alguma coisa." Na sua caminhada, ele também enfrentou muitos obstáculos. Depois de uma luta de oito anos contra um glaucoma, há dois anos o professor perdeu a visão do olho esquerdo. O PROJETO A ideia de gravar suas canções preferidas foi do filho Leandro Marques, que tem um estúdio na cidade. "No meu aniversário, em novembro de 2007, ele sugeriu e eu gostei. A partir daí, comecei a recordar as músicas e a estudar as técnicas porque quando você só ensina, fica enferrujado", conta. O projeto acabou promovendo um grande reencontro de José Marques com 18 dos seus ex-alunos - "não me recordo quantos alunos passaram por aqui (Academia José Marques), deve ter sido mais de mil" - e em julho do ano passado eles começaram a gravar. "Foi maravilhoso. Sensacional", disse empolgado. Entre os convidados estão Diego Figueiredo e Ronaldo Sabino. Dois dos seus seis filhos também tocam: Adriana Marques, 40, que mora em Brasília, e Gabriel Borges da Silva, 21. Sobre o instrumentista Diego Figueiredo, reconhecido internacionalmente, José Marques não titubeia. "Fico orgulhoso. Ele é um gênio. Eu sou esforçado. Ele é um dos poucos que têm talento e sabe aproveitá-lo. Ele é completo", reforça. O disco Minha Vida tem 21 faixas e homenageia grandes compositores com destaque para Mozart (Marcha Turca), Chopin (Noturno nº 2), Beethoven (Minueto nº 2), Gounod (Ave Maria), Agustin Barrios (La Catedral), entre outros. O DVD apresenta uma biografia de José Marques. "O objetivo deste trabalho é divulgar a música e contar a minha história, dizer que passei por aqui", reflete. O violonista gostou do resultado e já pensa em outro projeto. "Quero gravar um disco de chorinho ou música popular", planeja. A apresentação de hoje será dividida em duas partes. Na primeira audição, José Marques tocará com seus atuais alunos e na segunda parte entram em cena os seus ex-alunos com as canções do disco. O CD e DVD serão vendidos por R$ 30. SERVIÇOS Apresentação musical instrumental Minha Vida Data: hoje, às 20h30 Local: Teatro Municipal Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) Informações: (16) 3723-9531

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