Despertar do amor


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<b>MAUS COSTUMES</B> - Muitas mulheres de mais idade – solteiras, viúvas, divorciadas – abortam qualquer iniciativa e barram qualquer tentativa de aproximação do sexo oposto temendo o ridículo que imaginam possam se
<b>MAUS COSTUMES</B> - Muitas mulheres de mais idade – solteiras, viúvas, divorciadas – abortam qualquer iniciativa e barram qualquer tentativa de aproximação do sexo oposto temendo o ridículo que imaginam possam se
Duas mulheres idosas, morando numa cidadezinha à beira mar. Vidinha tediosa, embora tranquila. Um dia apareceu um rapaz jovem e bonito na praia, inconsciente, sobrevivente de um naufrágio. E a vida delas não foi mais a mesma. Cuidam do moço - que falava uma linguagem estranha - com desvelo, carinho e passam a competir sua atenção, apaixonam-se por ele. Uma, revivia sentimentos desaparecidos com a morte do marido; a outra, nunca experimentara antes um relacionamento amoroso. Quando aprende algumas palavras em inglês, conta que ia da Polônia para os Estados Unidos fugindo da guerra, da perseguição aos judeus e em busca de vida melhor. Recuperado, se revela exímio violinista. Auxiliado por uma vizinha russa, encontra um maestro famoso em Londres que lhe oferece lugar numa grande orquestra. Vai embora da casa da praia. As irmãs permanecem na pacata cidade, dentro de seus respectivos sonhos frustrados, ainda apaixonadas pelo moço bonito que vão ver, um dia, tocar no teatro, excitadíssimas e emocionadas. Esse é o roteiro do <b>Ladies in Lavender</b>, em português traduzido para O Violinista que veio do mar, baseado num conto de William J. Locke, de 1916. A trilha sonora, deslumbrante, é de Joshua Bell ao violino. A música-tema do filme é de arrepiar. As atrizes? Judi Dench e Maggie Smith. O filme, mais emocionante ainda pela atuação magistral das duas ladies, mexe profundamente com o lado preconceituoso da gente, acostumados que estamos a ver apenas jovens pares nos papéis românticos do cinema. Mulheres idosas despertando para o amor? O que há de tão estranho nisso? Por que achamos que amor é adequado apenas para jovens? Por que `os outros` estranham que possa existir impulso sexual em mulheres e homens já distantes e dobrados dos trinta anos? O que existe de errado em começar - ou voltar - a amar depois que os cabelos ficam brancos, a pele perde muito do viço, a barriga fica mais para uma tina que para um tanquinho? Fiquei pensando na tia solteirona que, não podendo se casar com o homem que amou quando jovem, fechou-se em copas e, toda vez que brincávamos com ela arrumando-lhe um pretendente, dizia que estava `muito velha` pra essas coisas. E ela não tinha quarenta anos nessa ocasião. Fiquei pensando que ainda hoje, muitas amigas têm vergonha de falar sobre - quanto mais, assumir - seus atuais relacionamentos porque temem a gozação dos filhos, parentes e conhecidos que não acreditam que a planta do amor possa florescer fora da juventude. Muitas mulheres de mais idade – solteiras, viúvas, divorciadas – abortam qualquer iniciativa e barram qualquer tentativa de aproximação do sexo oposto temendo o ridículo que imaginam possam ser alvos numa situação dessas. (Mais um motivo para invejarmos os homens que já se deram esse direito ou, assumiram esse direito. O Roberto Justus não se acanha de exibir um bebê que poderia ser seu neto). Não é difícil definir a fonte desta censura tão forte, catarata formada pelo rio de ódio que cai sobre os que demonstram ter descoberto o amor tardiamente. Um filete do caudaloso rio nasce do clã das próprias mulheres, censoras e críticas por natureza. Outro, do despeito - inerente ao ser humano. A inveja – também prerrogativa humana – contribui bastante. Vem de nós mesmos; afinal, a intolerância à felicidade alheia, principalmente se nunca experimentamos o gosto da fruta da paixão - existe em qualquer idade. Ao ver o brilho nos olhos das mulheres apaixonadas do filme, seus risinhos sem sentido, a excitação das atitudes, a sudorese fazendo o corpo brilhar de desejo... Um picolé se o espectador, há muito insensibilizado, não sentir saudades daquele frio no estômago e daquela levitação provocada pela presença do ser amado... <b>ASPAS</b> `Água que não há de beber, deixa-a correr, deixa-a, deixa-a...`. Trecho de música que Sarita Montiel cantava em um filme. Ela tinha uma boca enorme, imagino que pintada de vermelho porque a maioria dos filmes daquela época a gente via em preto e branco. Era uma bocarra de lábios brilhantes, bonita, até. Ela pronunciava as palavras daquele jeito espanhol de falar com a boca cheia de ar e de, nos ésses e cês colocar a língua bem nos dentes incisivos centrais superiores, para sibilar; nos sons em erre seguido de um éle, como no verbo dejarle, ela esparramava a língua em todo o espaço entre o vão dos dentes e punha a ponta da língua no céu da boca... O som, em espanhol, era peculiar, como era especial em casa, a mensagem que a frase sugeria. Fecho os olhos e escuto minha irmã me atazanando, cantando exagerado: `ágoa que nô hás de bvebver, derrrrrralá correr, dêrrrrralá, dêrrrrralá...` <b>CULINÁRIA</b> Duas receitas de molhos para saladas. Molho Italiano (pessoalmente gosto para salada de folhas verdes): bater no liquidificador 1 xícara de maionese + « cebola pequena + 1 dente de alho + 2 colheres rasas de açúcar + sal + pimenta do reino + orégano. E o Molho de Queijo: bater no liquidificador 1 xícara de maionese + « colher de chá de açúcar + « dente de alho + 3 colheres (sopa) de leite + 2 colheres de vinagre + 2 colheres de queijo parmesão. <b>CHARGES</b> Chegou, via e-mail, um arquivo intitulado Charges Políticas. Música de fundo: Pega Ladrão, de Gabriel, o Pensador. Vi a primeira, desliguei, só de imaginar o que viria a seguir. Descrevo-a: Lula e Sarney sentados frente a frente em cadeiras suntuosas, de terno ambos, morrendo de rir, os dois. Balão sobre Lula: `Sarney, você é de lascar! Aquele seu `a crise não é minha, é do senado`, foi supimpa! Genial`. Balão sobre um sorridente e tranqüilo Sarney: `é, Lula, mas o seu `Não sabia de nada` continua imbatível!`. O estômago revirou. <b>PONTO FINAL</b> No sábado, 22 de agosto, José Marques fará apresentação e lançamento do DVD e CD `Minha vida`, no Teatro Municipal, às 20 horas. Promete revelar `dificuldades, vitórias e dar exemplo de como a persistência ajuda a vencer barreiras`. Professor de violão de várias gerações francanas, por sua escola na pracinha do cemitério já passaram, entre outros, Diego Figueiredo, que participou da gravação do DVD. A audição está dividida em duas partes: na primeira ele se apresenta com alunos da escola, na segunda faz o lançamento dos álbuns que contêm seu trabalho de uma vida. No programa estão clássicos como Tears in Heaven, Tico-tico no Fubá e eruditos como Lied (Schubert) e Bourrée (Bach). <b>Lúcia Helena Maniglia Brigagão</b> <i>Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras</i> luciahelena@comerciodafranca.com.br

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