"O atendimento às garotas envolvidas no esquema de prostituição infantil é prioridade". A afirmação foi feita pelo secretário de Assistência Social da Prefeitura de Franca, Roberto Nunes Rocha, ontem à tarde. Segundo ele, as famílias contam com "todos os recursos - humano e material - necessários, inclusive para o custeio de viagens para outras cidades, se for preciso".
As jovens que denunciaram o esquema de prostituição de crianças e adolescentes em Franca, segundo ele, já eram conhecidas dos profissionais do Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social). "Pouco tempo antes das denúncias, elas chegaram para nós. Não com histórico de prostituição, mas de negligência e violência - física ou sexual", disse Maria Inês Coimbra, coordenadora do Centro.
De acordo com Maria Inês, todas têm em comum um "histórico familiar muito difícil" e seriam vítimas da "pobreza, da falta de estrutura familiar e do ambiente" em que cresceram. Para alertar as mães das adolescentes sobre a gravidade da situação, elas teriam sido reunidas pelo Creas há cerca de dois meses. "Falamos muito sobre a gravidade do ato da prostituição, doenças, gravidez e o consumo de álcool e drogas, que podem estar associados", afirmou Maria Inês.
No encontro, a coordenadora diz ter percebido também que algumas mães sofrem muito, sem saber se a filha está viva, por exemplo. "Tem uma delas que não tem notícia nenhuma. Ela acredita que a garota de 14 anos esteja no Rio de Janeiro. A menina saiu de casa há meses sem nenhum documento e de havaianas", disse.
A expectativa da Secretaria de Assistência Social agora é de que, assim como a Prefeitura, a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e o Conselho Tutelar possam agir o mais rápido possível.
<b>POLÍCIA FEDERAL</b>
A delegada Graciela Ambrosio, da DDM de Franca, está decidida a pedir o auxílio da Polícia Federal para chegar às meninas francanas - pelo menos duas - que teriam fugido para o Rio de Janeiro. "Enviamos ofício para o juiz da Vara da Infância e Juventude para que ele se manifeste a respeito", disse ela.
Enquanto isso, a delegada afirma estar investigando a ida das garotas de 13 e 14 anos para a capital carioca - área que foge de sua jurisdição. "Se confirmarmos os dados com relação às denúncias graves que estão sendo levantadas quanto ao que fazem no Rio, provavelmente encaminharemos isso (o caso) para a Polícia Federal", declarou a delegada.
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