Mel, 10, chegou na vida de Vanda Giane Duzi, 37, num momento delicado. A representante comercial estava com depressão e síndrome do pânico, sendo tratada por um psiquiatra. Os problemas surgiram por estresse no trabalho. Foi nessa época, há cinco anos, que Mel foi morar com Vanda. As duas construíram uma relação íntima e de muita afinidade. Amorosa, Mel dormia com Vanda, fazia companhia no sofá e à mesa na hora das refeições.
As duas se ajudavam. Vanda tinha problemas emocionais e Mel, epilepsia, que provocava crises convulsivas constantes. Adotada de uma amiga, Mel era tratada como um ente da família. “Ela era como uma filha de verdade para mim”, disse Vanda.
Mel viveu dez anos. Tomava um comprimido de gardenal por dia para evitar convulsões, mas nem sempre o medicamento controlava as crises. A última delas a deixou sem forças, sem conseguir sequer se levantar. Foi levada ao médico e passou uma noite internada.
Vanda não conseguiu dormir neste dia. Ficou acordada, olhando para o teto, esperando ansiosa para o dia amanhecer. Pela manhã, o telefone tocou logo cedo. Do outro lado, o veterinário avisou que a cachorra da raça cocker havia morrido. Vanda ainda se emociona muito quando fala sobre o momento em que recebeu essa notícia. “Chorei muito. Parecia que tinha levado um murro nos olhos, de tão inchados que ficaram. Me dá uma tristeza muito forte todas as vezes que me lembro dela. A Mel era muito querida, como se fosse uma criança especial”, disse ela, chorando.
Vanda ficou tão abalada com a perda que nem na porta da clínica veterinária consegue mais passar. Ela muda o trajeto. “Toda semana eu levava a Mel na clínica para tomar banho. É doído passar lá em frente”. Em sua casa, as recordações continuam. A corrente prata que Mel ficava no pescoço e as fotos estão guardadas.
Vanda não é a única a sofrer com a perda de um animal de estimação. Muitos donos constroem laços tão fortes com os bichos que quando morrem é como se tivessem perdido algum parente. No livro Marley & Eu, que vendeu milhões de exemplares e se transformou em filme, fica bem clara a relação de amor entre homem e animal. Na história, que é real, a morte do labrador Marley deixou os donos (o casal e três filhos) abaladíssimos. A família chegou a transportar o corpo do animal do hospital veterinário para casa e enterrá-lo no jardim.
A morte dos bichinhos provoca reações inesperadas. Numa das clínicas veterinárias de Franca, os donos buscaram o cachorro e, como no filme, enterraram o animal. A veterinária Maristela Furlan, proprietária da Clínica de Aves de Franca, disse que clientes seus choram muito e já chegaram a ser hospitalizados por causa da morte dos pássaros que criavam. “As perdas de papagaios são mais difíceis porque a ave cria uma relação muito próxima e interagem muito com os donos”.
A empresária Aparecida Silva, 53, não teve tempo de socorrer Louro, seu papagaio. Há cerca de cinco meses, o pássaro estava inquieto dentro da gaiola e ela resolveu colocá-lo nas árvores no quintal de sua casa. De repente, ouviu os gritos de Louro. Chegou no quintal e não encontrou nem sinal dele. Ela acredita que um gavião tenha o atacado. “Ele deu um grito de como tivesse sendo machucado. Fiquei muito deprimida com a perda dele. Passei uma semana inteira triste”.
O animal foi presente do marido. Ainda filhote, era alimentado no bico. A empresária capturava os gatos no quintal usando armadilhas e soltava longe de sua residência para não apresentarem risco a Louro. “Era como se fosse um filho. Não quero mais saber de bicho porque foi muito triste perdê-lo”.
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Ainda tão pequena, Mariane Moraes, 10, já sentiu o drama de perder um animal de estimação. Ela havia ganhado uma calopsita, a Iara, de seus pais. As duas se tornaram verdadeiras amigas. Mas certo dia, estavam na sala e a janela tinha ficado entreaberta.
Iara fugiu. Mariane ficou desesperada. Com a ajuda da mãe, confeccionou cartazes e distribuiu para os vizinhos; procurou em várias casas, mas nunca encontrou. A menina ganhou outras duas calopsitas, Tati e Cauê, e também cria um gato, o Salen, mas diz que Iara é insubstituível. “As calopsitas que tenho agora são ariscas. Tenho saudade dela e choro quando me lembro”, disse Mariane, que chegou a ter febre depois que a ave sumiu.
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