A delegada Graciela Ambrósio da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) ouviu novamente ontem duas meninas que teriam confirmado a participação no esquema de prostituição infantil investigado pela polícia na cidade.
Além de procurar mais detalhes sobre a história e o comportamento dos envolvidos, a delegada dividiu o trabalho de investigação em outras duas frentes. Enviou policiais na pista dos aliciadores e para levantamento dos pontos de prostituição citados pelas adolescentes em depoimento. “Uma das equipes foi destacada também para procurar as meninas que teriam ido para o Rio de Janeiro. Sabemos que pelo menos duas delas já voltaram, mas infelizmente ainda não as encontramos”, disse Graciela.
A mãe de uma das adolescentes, no entanto, forneceu à investigação um cartão com a identificação de um possível suspeito de acolher as jovens na capital carioca. “Estamos nos mobilizando para atuar junto com o Conselho Tutelar para buscar essas meninas. Esperamos contar também com o apoio da polícia de lá”, afirmou a delegada.
O INQUÉRITO
Desde meados de agosto, a Polícia Civil de Franca investiga a existência de um esquema de prostituição infantil envolvendo pelo menos dez meninas com idades entre 12 e 15 anos.
Elas seriam levadas a encontros com homens em apartamentos, bares e boates nos bairros Jardim Guanabara, Estação, Parque Vicente Leporace, Miramontes e em uma chácara na divisa com o município de Cristais Paulista. Entre os aliciadores estariam quatro empresários de Franca, um político da região e uma adolescente de 17 anos.
Pela Lei de Crimes Hediondos - alterada este mês pelo presidente Lula - qualquer ato libidinoso com menores de 14 anos pode ser enquadrado no crime de estupro presumido. As penas variam de oito a 12 anos de prisão e não há mais a necessidade de representação da família contra o agressor. Se houver indícios, o inquérito deve ser instaurado pela polícia para apurar o crime, independentemente da vontade dos envolvidos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.