Tiago Andrade, advogado de André Cintra, recebeu a reportagem ontem e falou sobre a operação que resultou na prisão de seu cliente.
<b>Comércio da Franca</b> - Quais foram os métodos de investigação usados pela PF até chegar aos acusados?
<b>Tiago Andrade</b> - Basicamente, escutas telefônicas. Há um volume de escutas, que revelam uma eventual ligação entre as pessoas presas. As gravações devem ser objeto de contraditório, ampla defesa e melhor explicadas no curso do processo.
Comércio - Por qual motivo André foi preso?
<b>Tiago Andrade</b> - Em virtude de uma prisão preventiva, de uma eventual conjuntura de pessoas que comercializam pedras preciosas.
<b>Comércio</b> - Ele negociava diamantes?
<b>Tiago Andrade</b> - Nada no processo indica isto de maneira contundente. Meu cliente não comercializava diamantes.
<b>Comércio</b> - Em que situação o André foi flagrado pelas escutas?
<b>Tiago Andrade</b> - Existem algumas ligações entre as pessoas, que devem ser fruto de uma investigação mais apurada no curso do processo. Há contatos entre os indiciados, que estariam ligados e não, precisamente, por conta da venda de diamantes.
<b>Comércio</b> - O senhor me disse que o André estava estudando o mercado de diamantes....
<b>Tiago Andrade</b> - Como atua no comércio, conhece as pessoas que atuam no setor. O comércio de diamantes é antigo na cidade e região. Todos sabem que existe a compra e venda de diamantes. Meu cliente disse aos policiais que estudava a possibilidade de entrar neste mercado, mas não chegou, por falta de conhecimento técnico, a efetivar nenhuma aquisição ou venda de diamantes. Ele disse que não tinha conhecimento da ilicitude disto.
<b>Comércio</b> - Como avalia o grau de dificuldade em obter o alvará de soltura?
<b>Tiago Andrade</b> - O caso é complexo. A prisão preventiva, em tese, deveria ser exceção e só decretada em casos excepcionais. É prematuro dizer quando meu cliente será solto. Acreditamos sempre que ele será solto no minuto seguinte e sempre que esta decisão nos é negada, vamos bater na porta de instâncias superiores por entender que ele tem o direito de responder em liberdade.
<b>Comércio</b> - Acredita que os acusados possam ter bens leiloados?
<b>Tiago Andrade</b> - A lei prescreve esta possibilidade mas, para isto, é imprescindível que sejam condenados e tidos como culpados. Também é preciso comprovar que os bens foram adquiridos de maneira ilícita. A questão do leilão, ao nosso ver, é um caminho muito longo. É prematuro fazer qualquer futurologia a respeito.
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