Como fazer um novo gestor?


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<b>CONHECIMENTO TOTAL</B> - A área de produção é a que mais exige. E a mais vasta. Começa com estudo da anatomia do pé, para criação de formas adequadas, que é seguida de modelagem
<b>CONHECIMENTO TOTAL</B> - A área de produção é a que mais exige. E a mais vasta. Começa com estudo da anatomia do pé, para criação de formas adequadas, que é seguida de modelagem
Um dos clientes a quem presto assistência contínua, apresentou-me, na ocasião de visita, um sobrinho que, nas palavras dele, estava apaixonado pela fábrica e gostaria de começar a trabalhar desde agora, para apreender o que lhe fosse possível. Pediu-me para que tentasse instruí-lo da melhor maneira possível, partilhando com ele, pelo menos, parte da experiência acumulada na vida que dedico à indústria de calçados. Não tive porque negar. Confesso que o fiz com uma pequena desconfiança sobre a seriedade de intenções do jovem. Parti para uma entrevista preliminar. Qual não foi minha surpresa, quando encontrei nele, um jovem completamente diferente daquilo o que nós, muito mais velhos, consideramos hoje como comportamento usual da juventude. Perguntei a ele, duas vezes, por brincadeira, qual era a sua idade real, se eram os 15 anos informados ou se tinha, na verdade, uns 35 anos, pelo conceitos que apresentou e por seus pensamentos maduros. O fato é que já começamos trabalhar. E tem sido um trabalho, realmente, muito gratificante. Também vem servindo para mim,,como oportunidade de fazer um inventário de conhecimentos que uma pessoa deva possuir, se quiser gerenciar com sucesso uma empresa de calçados. Não é pouca coisa, mesmo se os assuntos forem abordados somente genericamente, sem entrar em muitos detalhes. A atuação de um gestor em indústria de pequeno a médio porte, que não possa contar ajuda de um staff especializado, se divide basicamente em três pontos: produção, administração e vendas; e não necessariamente nesta ordem. A área de produção é a que mais exige. E a mais vasta. Começa com estudo da anatomia do pé, para criação de formas adequadas, que é seguida de modelagem criativa e técnica, principalmente a técnica, que tantas vezes não é praticada, com reflexos danosos sobre a produtividade e produção. Segue-se conhecimento de materiais a serem usados, porque cada material tem particularidades que devem ser obedecidas, sob a pena de produzir-se algo de qualidade inferior ou inadequado. Na área de couros, a pessoa que não estudou química ou não fez estágio num curtume, sempre terá dificuldade em trabalhar de maneira adequada. E o que dizer dos materiais sintéticos, que se comportam de maneira completamente diferente? Os materiais para os solados são outro capítulo delicado. O caráter diferente de polímeros e elastômeros deve ser respeitado. Pelo desconhecimento da composição de poliuretanos, até hoje, fábricas pagam por solas que se desmancham após poucos meses de uso. E as técnicas de costura, com seus tipos de linhas, de agulhas de diferentes tamanhos e perfis? Ou técnicas de colagem, onde há influências de umidade relativa do ar, de temperatura tanto do ambiente, como de reativação de colas, de tempos de prensagem, da pressão das prensas? Os técnicos dos fabricantes de colas têm muitas histórias para contar... Ainda, sobre a execução do planejamento, das metas de produção, sempre dependentes de elementos humanos, de trato tão difícil! Um bom gestor deve incorporar perfil de líder, de psicólogo (às vezes, de psiquiatra...), de técnico polivalente, de diplomata, de delegado ou de pastor, de gestor de qualidade, de economista e calculista. Tem também que criar ambiente agradável dentro da área de trabalho! Tantas coisas, e ainda não saímos da área de produção! Na área da administração, que às vezes engloba a própria contabilidade, a situação não difere muito da encontrada na produção, talvez como uma única atenuante: geralmente, as pessoas que trabalham na administração, têm níveis de instrução e educação mais elevados. Mas, de qualquer modo, o gestor será solicitado para a sobre a programação, sobre as compras, sobre a manutenção dos estoques, sobre cálculos de consumo e de custo, sobre os problemas do departamento de relações humanas (antigo departamento pessoal) e ainda, servir de mediador entre a diretoria – ou donos da empresa – e a massa operária, cujos interesses, tradicionalmente, são conflitantes. Por fim chega-se à área de vendas. Área crítica, porque cada vez mais se transforma em motor que movimenta a empresa. No passado, embora sempre prestigiada, esta área não tinha uma importância vital porque o mercado estava à mão, comprava sem muitas perguntas aquilo o que era oferecido; as feiras vendiam produção de um semestre e todo mundo vivia feliz, e não sabia. Com o deslocamento do centro de gravidade da indústria calçadista para o Oriente, tudo mudou e, de repente, descobriu-se que os clientes têm outras opções, outras escolhas, que agora nos é que dependemos deles. Quase ninguém estava preparado para esta situação, nem tecnicamente, nem mentalmente. E queiramos ou não, os reflexos desta nova situação se refletem duramente na vida de um gestor de qualquer empresa. Não vamos desanimar o nosso jovem discípulo. Pelo contrário, faremos o possível para deixá-lo em condições de enfrentar e combater com sucesso os desafios que terá pela frente. São desafios formidáveis, mas com bom preparo pode-se, perfeitamente, superá-los, como atestam empresas bem sucedidas, neste turbilhão onde tantas afundam. Só falta dizer, que o Lucas ainda estuda. Fica meio dia na escola e o outro período, na fábrica. Na Bata, onde eu estudei, este método era norma. Depois de uma vida vivida dentro da indústria de calçados, só posso recomendar e elogiar esta maneira de criar futuros executivos. Centenas de colegas, bem sucedidos e conceituados, espalhados pelos quatro cantos do mundo, o atestam. <b>INTERESSE NA DIADORA</b> A firma italiana GEOX , através do seu proprietário Mario Moretti Polegato, anunciou o interesse de comprar a famosa marca de roupas e de calçados esportivos Diadora. A aquisição deverá ser feita pela firma de investimentos LIR, controlada pela família de signore Polegato. A agência de notícias Reuters reportou que a Diadora tem um passivo de US$ 80 milhões. <b>Zdenek Pracuch</b> <i>Sapateiro, shoemaker</i> pracuch@comerciodafranca.com.br

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