Hoje celebramos a Assunção de Nossa Senhora, isto é, sua volta para o céu em corpo e alma. A definição dogmática, proclamada por Pio XII em 1950, declara que Maria não precisou aguardar, como as outras criaturas, o fim dos tempos para obter a ressurreição do corpo.
As leituras que serão proclamadas nas missas são: Livro do Apocalipse 11; 1ª Carta aos Coríntios 15 e Evangelho segundo São Lucas 1. A cena descrita na primeira leitura é grandiosa. No céu aparecem dois sinais. O primeiro é “uma mulher revestida de sol, com a lua sob seus pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. O segundo é “um enorme dragão vermelho”, uma serpente gigantesca avermelhada de sangue, dotada de uma força descomunal (simbolizada pelas sete cabeças, pelos dez chifres e pelos sete diademas), capaz de arrastar do céu um terço das estrelas.
A mulher está grávida, grita por causa das dores do parto e dá à luz, um filho. O dragão coloca-se diante dela para devorar a criança recém-nascida. Tem pressa de eliminá-lo porque sabe que “está destinado a governar todas as nações com cetro de ferro”.
A mulher parecia vencida, mas Deus intervém: toma o filho e o transporta para o céu, enquanto a mulher busca refúgio no deserto. Quem são os três personagens?
O menino é, evidentemente, Cristo, que é destinado a governar as nações. A mulher, antes de simbolizar Maria, representa a comunidade de Israel. O dragão vermelho simboliza o mal, as forças contrárias à salvação, o inimigo de Deus e do seu plano de amor.
A mulher que foge e procura refúgio no deserto é a Igreja, a comunidade dos fiéis discípulos, que não se entrega às enganações do dragão e é protegida pelo Senhor, que a acompanha pelo deserto como acompanhou os israelitas, durante o êxodo.
Este trecho do Apocalipse pode ser aplicado a Maria porque é dela que nasceu o Messias, aquele que é o Salvador. No Novo Testamento, se fala frequentemente da morte e do morrer, e não podia ser de outra maneira, visto que a vitória de Cristo sobre a morte constitui a verdade fundamental da mensagem cristã. Nos poucos versículos desta leitura os dois termos estão presentes pelo menos uma meia dúzia de vezes.
Nós somos pessoas de fé, e no entanto temos medo da morte. Não queremos, nem mesmo, ouvir falar dela, e nos perguntamos: se Cristo venceu a morte, por que continuamos a morrer? Amar a Deus significa aceitar com serenidade essa realidade, essa condição humana. Significa crer no seu projeto, confiar-se a ele. É neste mundo que estão presentes sementes de vida e germes de morte que somos convocados a levar à maturação. Deus está pintando sua obra-prima, e ele a vê já realizada: é o mundo remido que, no fim dos tempos, Cristo entregará ao Pai. Nós, atualmente, contemplamos essa obra-prima só com os olhos da fé.
Hoje, celebramos a festa daquela que jamais foi derrotada pela morte. Como seu filho, Maria não procurou fugir à condição humana, não pediu a Deus descontos, privilégios, milagres. Mais que cada santo, soube olhar com os olhos de Deus a realidade deste mundo e soube transformar cada situação de morte em uma oportunidade de crescimento e de amadurecimento no amor, até o dia em que foi transferida para o mundo novo no qual seu filho entrou em primeiro lugar.
O evangelho relata o encontro de Maria com sua prima Isabel. Maria, estando grávida por obra do Espírito Santo vai até sua prima, já idosa, também grávida, para ajudá-la. Isabel reconhece que em Maria se encontra, em gestação, o Salvador da humanidade e Maria reconhece a obra de Deus com o belo e significativo canto do Magnificat.
Maria é proclamada “bem-aventurada” porque acreditou no cumprimento das palavras do Senhor. Quantas promessas Deus fez pela boca dos profetas! Quando, porém, demoraram para realizar-se, os homens duvidaram da fidelidade do Senhor. Preferiram confiar em si mesmos, nos seus raciocínios, nos seus projetos e acabaram por ir ao encontro de insucessos sistemáticos. Maria, ao invés, é “bem aventurada” porque confiou em Deus, cultivou a certeza de que, não obstante todas as aparências contrárias, a palavra do Senhor se cumpriria.
“Bem-aventurada és tu que creste”. É essa a primeira bem-aventurança que se encontra no evangelho de Lucas. Maria é bem-aventurada não porque viu, mas porque, confiou na palavra de Deus. No evangelho de João esta mesma bem-aventurança encontramo-la no fim. O Ressuscitado a dirige a Tomé: “Felizes os que crêem sem ter visto”. A fé autêntica aquela da qual Maria dá prova não necessita de demonstrações, de verificações, mas funda-se somente sobre a escuta da Palavra e se manifesta na adesão incondicional à própria Palavra.
Não é fácil acreditar especialmente quando nos é pedido que procedamos contra o nosso “bom senso”. É preciso muita coragem para crer que se realizarão as promessas feitas por Deus aos construtores da paz, aos não-violentos, aos que oferecem a outra face, a quem não se vinga, a quem dá a vida por amor. Maria nos ensina que vale a pena confiar nas palavras do Senhor sempre.
VIDA RELIGIOSA
O mês de agosto, mês vocacional, nos ajuda a celebrar a vocação religiosa feminina de consagração a Deus, neste domingo. Saudamos a vida religiosa presente em nossa Diocese através das seguintes congregações, ordens e institutos: Carmelo Santa Teresa e Beata Miriam de Jesus Crucificado; Congregação Jesus Maria José; Missionárias Diocesanas de Jesus Sacerdote; Irmãs de Sant’Ana; Irmãs de São José de Chambery; Irmãs Franciscanas Filhas da Divina Providência; Irmãs Salvatorianas e Vita et Pax. O serviço evangelizador e missionário constituem a alma destas consagrações a Deus. Parabéns e votos de perseverança.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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