Dia do Direito e noite do pendura


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O empresário Luciano Carvalho e o estudante Bruno Rahme entram em acordo um dia antes da data comemorativa
O empresário Luciano Carvalho e o estudante Bruno Rahme entram em acordo um dia antes da data comemorativa
Hoje é Dia do Pendura. Os donos de bares e restaurantes que se preparem, porque esfomeados estudantes de direito de todo o País estão prontos para juntar alguns colegas de classe - futuros advogados - e jantar de graça em comemoração à criação dos cursos de Ciências Jurídicas no Brasil. (Leia mais em quadro na página.) A tradição é simples e antiga. O ritual de comer, beber, não pagar e, às vezes, acabar na delegacia existe há 182 anos e tem seus seguidores em Franca. E nem poderia ser diferente. A cidade conta com cerca de 2.680 alunos nas três faculdades de direito instaladas no município. Por outro lado, imagine o prejuízo que todos esses estudantes poderiam causar se decidissem se refestelar de graça hoje à noite. Para evitar que a tradição "quebrasse" os bares e restaurantes há aproximadamente três anos foi encontrada uma solução diplomática. Os futuros advogados pegam junto ao DA (Diretório Acadêmico) ou ao CA (Centro Acadêmico) de seus cursos uma espécie de ofício a ser entregue a um restaurante previamente consultado. Ou seja, o "pendura" é anunciado e só acontece com a concordância do proprietário. O movimento, no entanto, pode estar seriamente ameaçado este ano. E tudo por causa da gripe suína. De acordo com Alice Gomes Carvalho, aluna do 2º ano de direito da Unesp e integrante do DA da universidade, a Influenza A (H1N1) adiou o retorno dos alunos às salas de aulas e consequentemente esvaziou o pendura. "Temos sempre de dois a três pedidos, mas este ano ninguém nos procurou", disse a estudante. O mesmo aconteceu na FDF (Faculdade de Direito de Franca). Segundo o responsável pelo DA da entidade, Bruno Rahme Moysés, muitos alunos são de outras cidades e ainda não retornaram. Mas os alunos francanos não devem desistir da comemoração. "Eu já resolvi onde `pendurar` hoje. Mas foi decidido em cima da hora, o que não é normal. Sempre entramos em acordo semanas antes", disse Bruno, aluno do 2º ano da FDF. <b>NO `PREJÚ`</b> Do outro lado, os donos de restaurantes não acreditam que ficarão livres da "maldição do pendura". "Muitos ainda não voltaram, mas têm os de Franca, não é? Já tomei muito prejuízo por causa deles. Acho que conseguimos entrar em um acordo. Sei que um dia eles voltarão como juízes ou promotores...", disse o empresário Luciano Carvalho. Além disso, o empresário pretende aproveitar o movimento do dia e criou uma promoção especial: "Esta noite, os estudantes de direito tomam uma cerveja e penduram a outra. Assim ficamos nos 50%", brincou Luciano. Já o gerente da Paulicéia, Sandro Rufino Batista, afirma que o restaurante que comanda parou de participar da brincadeira. "Teve um ano que foi parar todo mundo na delegacia. Depois, passamos a permitir que um pequeno grupo viesse. Mas, este ano não vai dar por causa da crise", explicou o gerente.

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