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Pois é Suzana (o leitor se refere à leitora Susana Batista Messias, que manifestou ponto de vista sobre o tema, publicado em Cartas de sexta-feira, 7 de agosto, disponível para leitura em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=46309). Realmente é alarmante a negligência médica, mas sempre fica por isso mesmo. Como eles dizem, "foi uma complicação no parto, e não um descuido". Como você mesma disse, isso não pode acontecer mas acontece e, muito. Há quatro anos, em um congresso da categoria, o professor Marcelo Zugaib, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, dedicou sua concorrida palestra àquele que até então, considerava um princípio irrefutável: parto bom é parto normal. Foi duro e incisivo, qualificando de antiéticos os colegas que abusavam da `cesariana sem necessidade`. Saiu do palco aplaudido por centenas de médicos, todos defensores do pensamento dominante. Em outro congresso, Zugaib, novamente, foi convidado a proferir palestra. O título, dessa vez, era uma pergunta que por si só, indicava a virada na forma como os profissionais sérios abordam a questão: `Resgatar o normal é válido?`. Ao microfone, o obstetra desdisse boa parte do que havia defendido com tanta veemência antes. Qualquer casal que conte com bons médicos e bons hospitais, declarou, pode e deve optar exatamente pelo tipo de procedimento que julgar mais conveniente. Se quiser se preparar para um parto normal, tudo bem; se desde a primeira consulta preferir cesárea, também não há problema. "Antigamente, tratávamos a cesariana como os religiosos tratavam os pecadores na época da Inquisição", disse Zugaib. "Continuo a favor do parto natural. Mas, com os avanços tecnológicos e as mudanças de costumes, não condeno mais a cesárea. Cada caso é único e cabe ao médico dar todas as informações para que o casal faça sua escolha". Quanto a cicatrizes, o corte realizando na cesárea é feito na horizontal, não deixando cicatrizes enormes como antigamente. Garanto a você que as pacientes, claro, adoraram a idéia de um parto sem dor antes e durante (ainda que um pouco mais dolorido depois), com data marcada e ainda a vantagem de preservar o aparelho genital. Está na revista Veja, de 2 de maio de 2001: "Apesar de seu primeiro parto não ter sido particularmente prolongado, a dentista paulistana Carla Pereira, 36 anos, não esqueceu as dores excruciantes que sentiu para dar à luz Mateus. (...) teve o segundo filho, Tomás, por cesariana (opção do médico, quando houve complicações no parto) e não sentiu nada. `Se soubesse que era tão rápido e confortável, nunca teria tido um filho pela via normal`, afirma agora. Essa história de que a dor do parto enobrece só pode ter sido inventada por um homem, que não tem a menor noção do que se trata". O corte na barriga não passa de 10 centímetros e os pontos são absorvidos pelo organismo. O anestésico, além de ter menos efeitos colaterais, é injetado com uma dose de morfina que permite à mulher não sentir dor alguma no primeiro dia. Quando seu efeito passa, ela já está se movimentando normalmente e a dor residual é bem menor. Como você diz, a opção é de cada um. Garanto a você que os laços maternais de meus filhos são tão grandes quanto os de um bebê nascido por cesárea...

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