O caso da anencefalia


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Está tramitando no Congresso Nacional uma proposta para se autorizar o abortamento quando se verificar que o feto é anencéfalo, isto é, sem toda a estrutura cerebral. Tal medida, segundo os que a defendem, visa a melhorar a qualidade de vida, chamada de eugenia, bem como, exonerar o Estado de gastos com tratamento de saúde que não resultaria em preservar a vida do futuro bebê. Esta idéia não é nova, nem no Brasil, nem no mundo. Na antiguidade, os gregos de Esparta adotavam a medida, permitindo que os pais de crianças defeituosas as arrojassem num penhasco para que morressem e não perturbassem a vida dos demais. Posteriormente, outros povos abraçaram o costume e adotaram o arianismo, tido como raça pura. Também os índios americanos adotam a medida de sacrificarem crianças portadoras de qualquer deficiência. Agora, o pensamento renasce pela proposta de uma parlamentar, com a desculpa de uma melhor qualidade de vida para a população. Tomada apenas do ponto de vista materialista, a proposta é correta e deveria ser aprovada. No entanto, há que se considerar que não somos um corpo. Estamos no corpo. O que somos, em realidade, é um espírito habitando, provisoriamente, um corpo. Assim, cabe a pergunta: se existimos antes do corpo, por que surge um corpo defeituoso? A resposta irretorquível é a de que o problema não está no corpo, e sim, no espírito. É o espírito que apresenta a anomalia e que provoca a má formação no soma (nome dado pelos gregos, ao corpo físico). Então, matar o corpo não elide a causa. Eliminar o feto anencefálico não soluciona a questão. Orienta-nos a Doutrina Espírita que os espíritos que passam por esta situação têm um resgate a efetuar perante a própria consciência. São os espíritos que se comprometeram na área do pensamento, ou que destruíram o crânio em outras existências, pelo suicídio. Assim, as marcas perispirituais, quando da formação de novo corpo, pela reencarnação, provocam o surgimento das anomalias fetais. Dir-se-á: mas, as anomalias físicas não são oriundas dos defeitos genéticos? Evidentemente! Entretanto os gens defeituosos são apenas `letras` acionadas pelo Espírito. Quem escreve o texto é o Espírito, razão de todos os problemas. Quando vai reencarnar-se, o Espírito escolhe, ou é orientado a escolher, o corpo de que necessita para quitar-se com a sua consciência. É um processo minucioso de escolha, sob a proteção dos Espíritos encarregados de tal assunto no mundo espiritual. Daí porque a Doutrina Espírita aconselhar, veementemente, o não abortamento anencefálico. O Espírito que passa por tal situação precisa enfrentar um corpo defeituoso para avançar evolutivamente. Por isso, abortar nunca. Deixemos a vida cumprir o seu programa. Não interfiramos no processo estabelecido a fim de que a vida (física e espiritual) cumpra seu papel de restabelecer o equilíbrio, indispensável na conquista de si mesmo, que deve efetuar o Espírito milenar. Cabe ressalvar, finalmente, que a família que opta pelo abortamento do anencefálico, em virtude da Lei de Causa e Efeito, receberá, de um jeito ou de outro, aquele Espírito com quem está comprometida. Daí porque Jesus haver dito: `Reconcilia-te com teu inimigo enquanto estás a caminho com ele`. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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