`Perguntem à minha irmã...`


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Foi bom o comentário do leitor Adoniram "Dino" Thomaz (leia em http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=46027). Deu margem a que possamos fazer alguns esclarecimentos. Na verdade esse negócio de parto normal custar menos e é verdade. Porisso mesmo, os médicos da rede particular preferem a cesárea. Afinal, significa menos trabalho para eles, menos "problemas" para marcar a data do nascimento, menos tempo para realizar cada cirurgia (em vista da demora de um parto normal) e mais dinheiro no bolso deles. Mas, o que realmente me intriga é o seguinte: se uma índia consegue ter seu filho sem cesárea, por que uma mulher da cidade não poderia? O corpo feminino é talhado para a gestação e para o parto. Somos biologicamente preparadas para isso. Claro que existem exceções, e acontece de algumas mulheres não terem condições de (parirem) seus filhos normalmente. Nesses casos, e somente nesses, é que se recomenda a cesárea, opção que existe exatamente por isso, para mulheres poderem ter seus filhos mesmo em condições adversas, como foi o caso da irmão do leitor Adoniram. Talvez sua esposa não necessitasse da cirurgia, e o único profissional capaz de avaliar isso, em cada caso, é o obstetra. Se é do interesse deste profissional realizar cirurgia em uma mulher saudável e expô-la a riscos desnecessários, apenas por comodidade; e ele não tem ética profissional o suficiente para explicar tudo isso à sua cliente, o resultado é essa falta de informação que leva pessoas a acreditarem que, em razão de uma mulher ter problemas com seu parto, então todas terão. O que ocorreu com sua irmã tem nome: chama-se erro médico. É óbvio que existe uma minoria de mulheres que não podem ter filhos em parto normal, e essas devem ser atendidas de acordo com suas necessidades. É obrigação do profissional que atende parturientes, seguir de perto o parto, e tomar a decisão de fazer cesárea caso aquele se mostre inviável naturalmente. Neste caso, evitaria que o ocorrido com a irmã do leitor, não ocorresse com mulher alguma. O que ela passou, nenhuma mulher deve passar. Na verdade, os médicos precisam se dedicar mais à sua profissão e cuidar melhor de suas clientes, enxergando suas necessidades e honrado o juramento que fizeram, como nos disse outro dia o Luiz Neto, em coluna recente neste Comércio (leia em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=45847). Daí a dizer que todo parto será problemático e que uma recuperação de semanas, com antibióticos e outros remédios seja preferível ao parto natural – que não oferece os riscos de uma cirurgia, que fortalece os laços entre mãe e filho, e que permite que a parturiente saia da maternidade no mesmo dia do nascimento, andando com seu filho nos braços, sem a necessidade de remédios, longa recuperação, nem pontos no abdome – é, para mim, realmente muita falta de informação. O que posso dizer é que sonho em ter dois filhos. Rezo para que possam nascer os dois de forma natural, de preferência de parto feito em minha casa, assistida por uma enfermeira/parteira, que além de mais barato, com certeza será melhor para minha saúde e de meu filho e, claro, para minha vaidade já que não me deixará cicatrizes. Susana Batista Messias Conselheira deste jornal - Franca - SP

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