Medo da gripe suína apavora ‘doentes’ em Franca


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<b>DÚVIDA E MEDO</b> - Moradora do Jardim Aeroporto 3, a balconista de 19 anos convive com o dilema de não saber se contraiu ou não o vírus da gripe suína
<b>DÚVIDA E MEDO</b> - Moradora do Jardim Aeroporto 3, a balconista de 19 anos convive com o dilema de não saber se contraiu ou não o vírus da gripe suína
Há quase duas semanas DM, uma jovem de 19 anos, tem passado os dias presa a uma cama. Sente dores de cabeça, falta de ar, tosse e tem febre acima de 38ºC. Ela só se levanta para tomar banho. No restante das horas, assiste televisão. Cada vez que ouve os boletins de mortes e número de infectados pela gripe suína, começa a chorar. Até ontem, a doença causou 50 óbitos no Estado de São Paulo e quase 130 no País. DM, moradora da Zona Sul, não viajou para áreas de risco, mas acredita que possa ter tido contato com alguém doente no seu trabalho. A jovem é balconista em uma lanchonete e atendeu atletas de várias cidades que estiveram em Franca para os Jogos Regionais no mês passado. Ela passou por atendimento hospitalar duas vezes, mas foi medicada e recebeu alta. O diagnóstico dado foi sinusite e gripe forte. Não foi feito exame para saber se é a nova gripe. Desde que está de repouso, os vizinhos e amigos se afastaram. “Me sinto abandonada. Quero voltar a sair, ter meus amigos e trabalhar”, disse a jovem, chorando. O desejo de sua mãe ES, 41, é que faça o exame para saber se está com doença. “A médica disse que não sabe se é gripe suína. Queria um exame mais concreto para saber se está com essa gripe para tratarmos direito ou então retomarmos nossa vida de uma vez. Estamos vivendo trancados em casa”. <b> A repórter Nelise Luques ouviu uma das mães. Ouça:</b> <embed src="http://media.entertonement.com/embed/PlayerText.swf" id="1_e2cd3a34_81ca_11de_bc27_0015c5f4d265" name="PlayerText" flashvars="auto_play=0&clip_pid=qdtrcmtyqk&id=1_e2cd3a34_81ca_11de_bc27_0015c5f4d265&meta_url=http%3A%2F%2Fwww.entertonement.com%2Fclips%2Fqdtrcmtyqk.query%3Fimage_size%3Dflash" width="304" height="30" style="float: left; margin-right: 10px;" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" bgcolor="#ffffff" wmode="transparent" align="middle" allowScriptAccess="sameDomain" allowFullScreen="false"></embed><a target="_blank" href="http://www.entertonement.com/clips/qdtrcmtyqk--18583"><img alt="Blank" border="0" height="0" src="http://www.entertonement.com/widgets/img/clip/qdtrcmtyqk/1/1_e2cd3a34_81ca_11de_bc27_0015c5f4d265/blank.gif" style="visibility: hidden; width: 0px; height: 0px; margin:0; padding:0; float:right" width="0" /></a> <i>*Se não conseguir ouvir o áudio, clique <a target="_blank" href=" http://www.entertonement.com/clips/qdtrcmtyqk--18583"><u>aqui</u></i></a>. A cozinheira EJ, 40, é outra mãe preocupada com a falta do exame para saber se o filho está infectado pelo vírus H1N1. LJS tem 13 anos e está doente há uma semana. Começou a passar mal na quinta-feira, com febre de até 39ºC, tosse e dor de cabeça. Ele passou pelo Pronto-socorro “Doutor Janjão”, foi medicado e liberado. Como no sábado continuou com os sintomas e vomitou, retornou ao hospital, mas voltou para casa novamente. EJ gostaria que o filho fizesse o exame para saber se está com a nova gripe. “Meu filho não viajou para outro país, mas só no futebol, treina com 20 meninos e algum pode ter viajado. Não estou afirmando que ele está com gripe suína, mas e se estiver?”. EJ diz que chegou a solicitar ao médico que fizesse o teste, mas teve o pedido negado. “Falaram que se fizesse no meu filho, teriam de fazer no filho de todo mundo. Quero saber que tipo de gripe realmente tem”. Não resta alternativa aos pacientes e familiares. A restrição dos exames é recomendada pelo Ministério da Saúde. Diante do aparecimento de casos da gripe A no Brasil, o governo federal padronizou o atendimento nos municípios. Inicialmente os francanos eram encaminhados para a coleta de material em Ribeirão Preto. Como em mais de 75% dos exames da nova gripe, os resultados deram negativos, o Ministério limitou a coleta de material. Com o novo protocolo, os pacientes devem permanecer em Franca. Os exames de gripe suína só são feitos em pacientes que forem internados, o que ocorrerá somente se a doença estiver em estágio grave, ou seja, quando o doente apresentar febre de 39ºC intermitente (e sem ser controlada com medicação) associada a outro sintoma, principalmente insuficiência respiratória. “As pessoas podem ficar tranquilas porque não temos circulação viral em Franca. Para ter contato com o vírus, é preciso ter viajado para locais de transmissão. Se não saiu de casa e tem sintomas, com certeza não está com a gripe suína”, disse Alexandre Ferreira, secretário de Saúde. Se for necessário, a coleta será feita na cidade e remetida a São Paulo. “Só iremos colher material do paciente já isolado no hospital e com o trabalho de contingência sendo feito, como se fosse caso positivo. A confirmação será apenas para fins de estatísticas e para passarmos a acompanhar parentes e pessoas que tiveram contato com o doente”. A nova gripe e a comum possuem sintomas parecidos e o mesmo grau de letalidade. Provocam mortes em 0,48% dos infectados. Outras doenças são mais letais. Segundo Alexandre, a leptospirose provoca morte de 30% dos doentes. “A suína é colocada como um problema de saúde pública porque quando surgiu no México havia riscos do vírus sofrer mutação e aumentar a letalidade, mas isso não ocorreu”. Em Franca, até ontem, a Vigilância Epidemiológica monitorava 26 pessoas, sendo a grande maioria do grupo de estrangeiros que está em Franca para um curso sobre tratamento de esgoto. A Prefeitura recebeu medicamentos para tratar a doença (Tamiflu), mas ainda não foram usados.

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