Quem sabe, devido ao aquecimento global, ocorra mutação em algum vírus e ele se torne capaz de exterminar políticos corruptos, demagogos, interesseiros e mau-intencionados. E que o trabalho honesto, em prol da maioria, seja o único antídoto contra esse mal.
Alberto Borges de Freitas
Franca - SP
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Sarney tem muito mais que uma ilha; tem um feudalismo descarado: para nascer, maternidade Marly Sarney; para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou Roseana Sarney; para estudar, há as escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney; tem o posto de saúde Marly Sarney; a biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Maranhão, de José Sarney; para notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV Mirante, 13 repetidoras, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize a Rádio Mirante, 35 emissoras, todas de José Sarney. E não fica por aí: para saber sobre contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, mas que no Maranhão pode); para entrar ou sair da cidade, atravesse a ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços e aporte no município José Sarney. Não gostou de nada disso? Quer reclamar? Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a sala de imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à sala de defensoria pública Kiola Sarney. Seria cômico se não fosse tão triste... Em Franca ouvi, certa vez, um vereador dizer que lhe ofereceram R$ 60 mil para apoiar certo candidato a deputado de outra cidade, que queria pegar votos aqui. Disse também que não aceitou, mas isso deixa claro que a briga de foice no escuro (sic), que se trava nas eleições, não é apenas por aquele salário. Certos políticos têm rendimentos extras. Ouve-se falar sempre em "quanto é que eu levo nisso?", nos mensalões, vantagens e outras falcatruas. Mas, o mais triste mesmo acontece nos bastidores, quando políticos se gabam de manipularem o eleitor. Considerando que as cervejarias pagam milhões por propaganda na TV, rádio, revistas etc., seria ingenuidade imaginar vereador (daqueles que dizem só ter poder de fiscalizar o prefeito e nada mais), pouco se lixando para a inconstitucionalidade, ou então, se esforçando muito, viajando, fotografando e copiando exceções de favelas, para aplicar aqui. O que há é a doação de nossas calçadas para o alcoolismo (...), atropelo a leis estaduais, federais, e leis municipais para anular os itens contrários ao interesse das cervejarias, tudo por puro altruísmo. E ainda dizer que: "a matéria é de grande alcance e objetivo social". Quando foi que o alcoolismo foi bom para a sociedade? Ou quando embriagou e viciou menores e motoristas. Por que, para apoiar a venda de bebidas, permite-se a desvalorização de imóveis vizinhos, despreza-se o RIV (lei que obriga o relatório de impacto de vizinhança, elaborado pelos vizinhos), incentiva-se a violência, coopera-se com a sonegação fiscal, permite-se a concorrência desleal? Projetos abusados, de grande alcance financeiro e direcionados a objetivos pessoais...
Alexandre Alves Ribeiro
Franca - SP
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