Criatividade muda vida de anônimos


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<b>SANTO OFÍCIO</b> - Elaine Santana trabalha no corte das hóstias São Rafael. Produção começou em maio no desejo de conquistar as igrejas da cidade
<b>SANTO OFÍCIO</b> - Elaine Santana trabalha no corte das hóstias São Rafael. Produção começou em maio no desejo de conquistar as igrejas da cidade
Com ideias diferentes na cabeça, um grupo de francanos tem deixado o medo de lado no intuito de ser dono do próprio negócio. Ivan resolveu produzir hóstias, Efigênia iogurtes naturais, Julieta cansou de costurar sapatos e quer agora só confeccionar roupas e José Donizeti tem o projeto de fazer sapatos para travestis. Nos últimos três meses, eles passaram pelo curso de “Empreendedor em Pequenos Negócios”, do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) Franca para aprender a colocar o negócio em prática. O curso teve 16 alunos, todos com renda per capita familiar de um salário mínimo e meio. Católico praticante, Ivan Raimundo dos Santos, 43, resolveu apostar na fabricação de hóstias ao assistir uma matéria sobre o assunto, num domingo pela manhã na TV. Após pesquisar sobre o tema, comprou duas máquinas e hoje tenta conquistar mercado para vender os pacotes de hóstias produzidos diariamente numa casa transformada em fabriqueta no City Petrópolis. Cada pacote com mil hóstias tem preço sugerido de R$ 10,50. Servidor público, ele quer, ao lado da mulher e do casal de sócios, que o negócio cresça e se torne sua principal fonte de renda. “Espero que o negócio possa até gerar empregos, é um mercado carente e um produto diferente”. Por dia, a mulher de Ivan e a sócia produzem em média seis mil partículas. As primeiras unidades têm sido destinadas para as igrejas da cidade como amostras. O objetivo é que os padres de Franca iniciem a lista de clientes. Na tentativa de ter um trabalho estável e com melhores ganhos, o sapateiro desempregado José Donizeti da Silva Lopes, 49, também caminha para se tornar empreendedor. Ao ver a dificuldade de travestis em encontrar sapatos de tamanho grande, ele resolveu empregar o que sabe na área calçadista para produzir “sapatões”. O projeto está no papel. Falta o capital suficiente para fazer as matrizes e comprar as máquinas. “Procuro alguém que possa encabeçar a ideia. Estudo fazer um sapato chamativo, com brilhos e muitos detalhes”. A numeração será do 36 ao 44. “A questão do desemprego é complicador. Então talvez essa possa ser uma forma de me firmar no mercado”. Ex-costureira de sapatos, Julieta Maria de Jesus, 49, hoje costura somente roupas femininas e infantis. Ela também participou do curso no intuito de aprender a como expandir seu negócio. “O sapato é muito estável, então passei a me dedicar mais às roupas . Com o meu próprio negócio, posso melhorar o sustento da minha casa”.

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