Perto de cinco mil pessoas são esperadas hoje no Parque Fernando Costa, a partir das 14 horas, para o segundo dia de encenação das cavalhadas em Franca. O evento que ocorre há aproximadamente 150 anos representa passagens de uma guerra religiosa e o enfrentamento entre cristãos e mouros no século oitavo na Península Ibérica.
A primeira parte das cavalhadas aconteceu ontem (sábado) à noite, também no Parque Fernando Costa. A cerimônia dos encamisados, quando guerreiros das religiões católica e muçulmana ficam lado a lado, abriu o evento. Tradicionalmente, era realizada no centro da cidade, quando os integrantes saíam da porta de alguma igreja previamente escolhida e percorriam as ruas próximas. Há anos, por questões de segurança, está restrita ao interior do parque.
Nas encenações de hoje, doze cavaleiros de cada um dos lados se enfrentam com lanças e armas de fogo. Enquanto os mouros tentam preservar o poder conquistado, os católicos sequestram a princesa muçulmana, que se converte ao cristianismo.
As cavalhadas foram introduzidas no Brasil entre o final do século 18 e o início do século 19, vindas de Portugal. Em todo o país, mas sobretudo nas regiões sudeste e centro-oeste, são fortes representações da tradição católica.
Mostra uma passagem histórica quando o rei Carlos Magno reuniu um exército e marchou da França à Espanha e Portugal para expulsar os mouros da península. O sequestro da princesa, episódio contestado na história, é o ponto alto das festividades.
<b>ENTRADA GRATUITA</b>
Em Franca, as cavalhadas são mantidas por um clube com perto de 80 associados, em sua maioria famílias envolvidas com o evento há várias gerações.
Segundo Gabriel Anawate, presidente do clube, apesar da tradição, realizar as cavalhadas é um trabalho de persistência. Boa parte dos gastos é bancada pelos próprios integrantes do clube.
Prefeitura e outras entidades e associações também participam com patrocínios. A entrada para o espetáculo de hoje à tarde é gratuita.
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