A revista Época de 20 de julho, traz interessante reportagem sobre o casal Ted e Joan Downes. Casados há 54 anos, tem ele 85 e ela, 74 anos de idade. Famoso maestro na Inglaterra, Ted foi considerado menino prodígio do violino, sendo responsável pela introdução dos autores russos no Reino Unido. Quando perguntado por que não tivera tanta projeção internacional, respondia com um sorriso `Não fui canalha o suficiente`.
Quando o casal ficou sabendo dos problemas de saúde que portavam, resolveram por fim à vida. Ela estava com câncer no pâncreas e no fígado, em caráter terminal. Ele, além dos naturais problemas da idade, já não enxergava e nem ouvia a contento. Então, numa visão imediatista e materialista, puseram fim à vida física. Como caminho, foram à Suíça e, na clínica Dignitas, na presença dos filhos, receberam uma dose letal de Nembutal e terminaram a existência física de acordo com a vontade que manifestaram.
O autor da reportagem, Paulo Nogueira, tenta mostrar que o suicídio foi a melhor escolha. Que um não podia viver sem o outro e que, por isso, escolheram `uma morte digna`. Mas cabe considerar que a vida não acabou.
Segundo o que ensina a Doutrina Espírita, a vida continua. Mataram o corpo, mas o espírito expulso do corpo físico, continua a viver; e é ai que está o engano. Pensando em acabar com tudo, vão continuar em outra dimensão, com os problemas que enfrentaram na Terra e sem meios, agora, de influir no corpo que feneceu.
O Espiritismo diz que o suicídio é uma rebeldia à Lei Divina. Ninguém tem o direito, ainda que com justificativas ponderáveis, de por fim à sua própria vida, que esta é um dom de Deus. Só Ele pode decidir quando devemos retornar. O suicídio é um ato de rebeldia ante as sábias Leis Divinas. Quem sabe a enfermidade não era o teste a que deviam se submeter? E agora, que continuam a viver em outra dimensão, a consciência deles não apresentará a nódoa do remorso, ficando o suicídio como mal maior?
Se acreditarmos em Deus, na Sua Justiça, no Seu Amor e Misericórdia, por que nos rebelarmos antes os acontecimentos tidos como infaustos na nossa vida? Ainda mais se considerarmos que a doença é a oportunidade de nos livrarmos de nódoas que nós mesmos nos impusemos, quando agimos inadequadamente ante a vida! E se o casal esperava se reencontrar após a morte, aí está engano ainda maior. Ensina o Espiritismo, com a história narrada no capítulo V, da segunda parte do livro `O Céu e o Inferno`, de Allan Kardec, um caso semelhante ao do maestro e a esposa.
Os suicidas, por amor, resolveram se matar a fim de se encontrarem na espiritualidade. Na reunião espírita, disseram que sofriam muito mais, porquanto se sentiam presentes, mas não se podiam ver. Que fora um grande engano o ato que cometeram. Assim, embora as atenuantes do grande amor do maestro e esposa, na espiritualidade, compreenderão que o melhor era acatar a Vontade Divina, resignando-se ante os Desígnios Superiores. Mas, para tanto, é preciso saber sobre a espiritualidade e a continuidade da vida. Isso, lamentavelmente, não era a caso de Ted e Joan.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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