Franca não tem, na rede pública de saúde, nenhum kit antiviral contra o H1N1, causador da chamada gripe suína. Não recebeu até ontem, sexta-feira, 17h30, quando escrevi esta coluna, nenhuma das propagadas 9 milhões de cartelas que o Ministério da Saúde disse que tinha. Pensando bem, é bom que nada tenha chegado. Há quem engula chumbo derretido, se disserem que é bom para a tosse.
Segundo informações que colhi, a inexistência dos kits não pressupõe uma cidade desagasalhada. Um integrante da rede de saúde municipal me disse que qualquer indivíduo que tome Oseltamivir – o remédio proposto pelo Protocolo de Procedimentos do Ministério da Saúde –. sem ter a gripe suína, pode se complicar se a doença vier a se instalar posteriormente. "Não haverá, então, medicamento capaz de combater eficazmente o vírus".
Em essência, o que o técnico quis deixar claro é que se alguém confundir uma gripe comum com a suína, passar em um farmácia e conseguir que lhe vendam medicamento do tipo – as farmácias estão sendo orientadas pelo Ministério da Saúde a não venderem nada que seja indicados à Influenza A H1N1 sem expressa recomendação médica e receituário adequado – e se automedicar, estará jogando a oportunidade de cura, em caso de infecção real, no lixo.
Outro profissional da área da saúde, muito experiente, me disse que pode parecer estranha a idéia de pedir a quem está gripado a que se isole em casa, observando se a febre acima de 38º persiste, se a tosse não passa, se dificuldades respiratórias ficam mais intensas, sem se auto-medicar. "Sabemos que a maioria das pessoas automedicam os sintomas gripais. Nos ensinaram que vírus têm um ciclo de vida que dura entre 7 e 10 dias, e que não adianta tentar nada contra eles; só contra os sintomas, para manter parte de qualidade de vida. No caso da gripe suína é diferente. Mascarar sintomas é perigoso. Deve-se procurar o médico e pedir avaliação".
E é ai que reside o problema. Na rede pública, a alta frequência de clientes é ambiente mais do que propício à disseminação do vírus. E esse tal "bichinho" é forte: permanece até 10 horas, vivo, em qualquer superfície. Por isso é que recomendam a que se lave as mãos várias vezes ao dia. "Se não for possível, é preciso evitar, a qualquer custo, esfregá-las nos olhos, no nariz, na boca".
Mas vamos em frente: avaliação médica é essencial. O profissional pedirá exames. Orientará adequadamente. Pode até ser que oriente ao consumo do medicamento referencial.
O paciente deverá voltar para casa, acomodar-se, ingerir muitos metros cúbicos de líquidos, manter-se afastado dos seus – e os seus, afastados de si – até que os exames, finalizados, enquadrem ou descartem a possibilidade de infecção pelo Influenza A.
Me garantiu outra fonte, que não temos qualquer caso confirmado de gripe suína na cidade. "Casos que estavam sendo monitorados estão sendo gradativamente descartados, mas isso não significa que o vírus não esteja por ai". É, aliás, esse pensamento que remeteu as autoridades da Educação a "esticarem" as férias de meio de ano. Os pais precisam saber que que o caso é grave e dedicarem-se a manter crianças e jovens em casa, pelo menos por mais um período. "Evitar aglomerações é essencial".
A guerra que estamos empreendendo é séria. Não há espaço para brincadeiras. Febre alta que não passa, tosse e dificuldades respiratórias, corra ao médico.
DIFERENÇAS:
A gripe suína tem sintomas mais intensos que a gripe comum. Coriza, mal-estar, dor de cabeça, dor nas "juntas", não são sintomas da "suína". Segundo o Protocolo de Procedimentos do Ministério da Saúde, é preciso constatar febre de mais de 38 graus que não cede, E tosse, E dificuldades respiratórias. Se este for o quadro, corra e entregue o caso a um médico. Não ao farmacêutica amigo da esquina.
CRIAR ALTERNATIVAS
Há pais que reclamam sobre a decisão de "esticar" as férias escolares. Por trabalharem, não têm onde deixar os filhos durante o período em que estariam em sala de aula. É preciso que a família compreenda, se divida e e crie alternativas para vencer a prorrogação de datas. Se a grande população estudantil for às ruas, ao shoppings, aos cinemas e a locais de grande concentração humana, a estratégia de mantê-los ao agasalho de suas casas e longe da possibilidade de contaminação, se perderá totalmente.
E, POR ÚLTIMO
Infectologistas estão dizendo que a gripe A H1N1 mata, com a mesma frieza, jovens e idosos. Basta que o organismo esteja depauperado, com resistência baixa, subalimentado ou desidratado. Então, mãos à obra, para reforçar defesas.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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