O medo da infecção causada pelo vírus influenza A (H1N1), que provoca a gripe suína, começa a mudar a rotina nos consultórios médicos particulares e hospitais de Franca. A alteração mais impactante foi registrada no Hospital São Joaquim/Unimed. Nas duas últimas semanas, a procura na unidade de emergência por pacientes com queixa de sintomas gripais mais que dobrou.
Antes eram atendidos 30 usuários com febre, coriza, dores musculares e tosse por dia. A média saltou para 70. A agenda de médicos especialistas também está mais apertada. O Hospital Regional e Prontos Socorros Infantil e “Doutor Janjão” ainda não registram aumento da demanda por causa da gripe suína.
O atendimento que tradicionalmente já é maior durante o outono e inverno por causa do clima seco cresceu. O adiamento das aulas nas escolas e universidades em Franca no início desta semana elevou o grau de preocupação das pessoas. “No hospital, notamos um aumento considerável de usuários com sintomas gripais, sejam causados pelo influenza sazonal ou A, conhecido como gripe suína.
A mídia tem falado muito da doença e isso gera preocupação com o risco da letalidade que ela apresenta, por isso os pacientes procuram o médico”, disse Carmen Grijalba, médica do Centro de Controle de Infecção Hospitalar da Unimed. Só nesta semana, no Estado de São Paulo, dez pacientes morreram infectados pelo vírus A (H1N1). No Brasil, até ontem à noite, foram 76 óbitos.
Para atender a demanda, a Unimed mudou a rotina na recepção. Os pacientes que dão entrada com sintomas de gripe, resfriado ou alergia respiratória devem se dirigir a um guichê especial e buscar máscaras cirúrgicas enquanto aguardam atendimento para evitar transmissão do vírus. “É um plano de contingência que montamos”.
No consultório do otorrinolaringologista Elson Rodrigues, a demanda aumentou cerca de 10% nas últimas semanas. “Os sintomas da nova gripe e da comum são muito parecidos. As pessoas ficam preocupadas e, quando têm febre, tosse ou dor muscular, vêm ao consultório. O aumento não foi explosivo, mas houve mudanças”, disse o médico, que atende 25 pessoas por dia.
O Ministério da Saúde orienta as pessoas que tiverem febre intermitente acima de 38º e tosse a procurarem atendimento médico. Não é aconselhável se medicar antes de ser consultado por um especialista. “Os medicamentos podem mascarar os sintomas.
Após consultar a pessoa, o médico avaliará se é caso suspeito. Se for, seremos notificados e investigaremos cada caso”, disse o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira. A médica Carmen Grijalba alertou sobre os riscos de complicações com a automedicação. “O vírus influenza pode desencadear complicações, principalmente em crianças medicadas com AAS, pois as doenças causadas pelo influenza podem evoluir para um quadro muito grave”.
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