Mais do mesmo


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Talvez a melhor imagem da segunda gestão do prefeito Sidnei Rocha seja o boneco dos Jogos Regionais que ele certamente imaginava ser um espelho dos Jogos Olímpicos de Barcelona e terminou no Pan de Santo Domingo: obras inacabadas e uma espécie de gosma azul inintelegível segurando uma tocha, procurando a luz no fim do túnel. Estamos assistindo a mais do mesmo, a repetição de suas diatribes sobre governos passados a mostrar sua própria incapacidade de entender os tempos atuais, já que ainda governa no século XX, com seu estilo centralizador e autoritário. Franca tem uma história de desenvolvimento que mostra com clareza que, sem um projeto de cidade, não é possível melhorar a vida das pessoas mais pobres, assalariadas ou informais e que dependem dos serviços públicos, principalmente de saúde e educação. Franca cresceu sob o signo da indústria coureiro-calçadista. Graças a uma visão de futuro de suas lideranças políticas e empresariais dos anos 1960 e 1970 (que misturavam seus interesses econômicos e políticos, há vários estudos acadêmicos mostrando como isso se operava), transformou-se numa plataforma exportadora de calçados, geradora de empregos e renda, ao mesmo tempo que trazia importante migração de trabalhadores, que foram se juntando nas novas periferias. O período, contraditório, uniu expressivo crescimento urbano, grandes problemas de infraestrutura e má distribuição de renda. Numa sociedade moderna e democrática, governos como o de Sidnei são cada vez mais a exceção. Sem debate público, personalista, autocrático. Foi reeleito por conta de fatores que dificilmente se repetirão juntos (crescimento acelerado da economia brasileira, aumento dos repasses de recursos federais pelo governo Lula (PT), concessão onerosa de serviços públicos como da Sabesp e recursos obtidos por oposicionistas, como fez o ex-prefeito Gilmar com o espírito público que lhe é próprio). Sidnei posa de bom governante na excepcionalidade do momento. Mas seus (d)efeitos para o futuro da cidade serão graves. A saúde pública não teve seus problemas resolvidos, o grande gerente apenas devolveu o atendimento terciário ao governo do Estado. Os indicadores de educação são desanimadores. A `revolução cultural` que prometeu esvaiu-se no grupo de amigos que empregou, um desastroso vazio. Quanto à infraestrutura, fez recapeamento. É pouco. O trânsito caótico sem fiscalização e planejamento, a preocupante queda dos usuários do transporte coletivo, na contramão de qualquer cidade sustentável. Não há política de apoio ao setor produtivo. A habitação social foi esquecida, a Prohab paralisou sem recursos, os conjuntos inaugurados agora foram projetados no governo de Gilmar. O mesmo ocorre em relação às enchentes: o `piscinão` é projeto de Gilmar. Enfim, não há idéias novas. Falta a Sidnei um projeto para a cidade, pois seu governo é de um homem só. Um governo que não fortalece a democracia e o planejamento não conseguirá melhorar a vida da maioria das pessoas, pois é incapaz de galvanizar a sociedade em torno de ações continuadas para alterar os rumos da cidade que tende a se tornar como a maioria das grandes cidades brasileiras, um lugar sem memória e difícil de se viver. Mauro Ferreira Doutor em Arquitetura e Urbanismo, professor da FESP-UEMG.

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