“Coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra pra ser formosa?”. Elas ganharam até uma música especial do rei Roberto Carlos e estão longe de ser o padrão de beleza de modelos como Gisele Bündchen. Mas o fato é que as gordinhas estão conquistando espaço cada vez maior no mundo da moda.
Grandes grifes como a Fórum, por exemplo, começaram a produzir modelos um pouco maiores. Os masculinos da marca podem chegar até o número 52 e o feminino ao 46 (com um pouco de sorte é possível achar algumas peças até no 48).
As passarelas também descobriram há pouco tempo o que as lojas e marcas de roupas já sabiam: a imensa maioria da população não tem as vértebras da coluna aparecendo sob a pele. Para representar esse nicho foi preciso alguém literalmente de peso. Fluvia Lacerda é o que o mundo da moda chama de modelo “plus size”. Ela, que é brasileira e mora nos Estados Unidos há mais de 10 anos, veste manequim número 48, faz parte do cast da Agência Elite americana e tira fotos que estampam catálogos para o mundo todo. É a modelo GG mais bem paga do mundo.
Fluvia é feliz com o seu corpo e por isso nunca quis fazer dieta, assim como Preta Gil. Esta última não está nos padrões das passarelas, mas aceita e gosto do corpo um pouco mais “cheinho”.
Preta chegou inclusive a fazer uma foto sua completamente nua para estampar a capa de um de seus Cd’s. O que as duas tem em comum, além do peso, é a preocupação com a saúde. Ambas vão ao médico pelo menos uma vez ao ano fazer um check-up geral.
Tão bem resolvida quanto as duas é a estudante de direito Taissa Barcellos, de 23 anos. Gordinha assumida (e muito feliz) Taissa namora há 2,5 anos, tem dezenas de amigos e nunca - nunca mesmo como gosta de dizer -, deixou de sair de casa ou de fazer qualquer coisa por causa do peso. “Eu gosto de mim, me acho bonita e sei que muitas pessoas também acham. Meu namorado, por exemplo, gosta de mim assim, como eu sou”, se diverte.
A estudante só se chateia quando tem que comprar roupas em Franca, pois, segundo ela existem poucas lojas especializadas (duas), com roupas muito parecidas e destinadas a um público mais velho. Ela explica que tudo é muito largo, com poucos detalhes e opções de modelos. Recentemente, quando queria comprar um terninho, achou dois em Franca, idênticos, mas nenhum agradou o seu gosto. Resumindo: teve que ir para Ribeirão Preto para achar algo que realmente gostasse.
Taissa aprendeu ainda jovem a se maquiar. Desde então aposta em make-ups bem produzidas com blushs, sombras, lápis, rímel e batom. Não sai de casa sem ficar alguns bons minutos em frente ao espelho. Ela abusa também dos acessórios para chamar a atenção: brincos, anéis, pulseiras e lenços. “Com as roupas não é tão fácil assim, mas com os acessórios, não posso passar em frente a uma vitrine que entro para comprar”. Sapatos é outra paixão de Taissa. Ela tem mais de 50 pares. Com eles não essa de tamanho, calça 39 e acha o que quer em todo o lugar.
Com um bom humor e uma alegria contagiantes ela conta que chegou a emagrecer 40 quilos na adolescência, mas descobriu que perder peso não fez com que a sua vida mudasse. Ela pensa em fazer a cirurgia bariátrica aquela que reduz o tamanho do estômago -, mas não agora, não este ano. Ela tem outras perspectivas, quer se formar, trabalhar na área de direito e ser feliz, ou melhor, ser ainda mais feliz.
A moda de hoje, com lenços, batas e vestidinhos mais soltos ao corpo talvez, seja a resposta da moda à ditadura da beleza. Antes, o bonito era usar calças super justas com blusas ainda mais coladas ao corpo, de tecidos que marcavam a mínima protuberância. Hoje, já não é mais assim. Para confirmar basta dar uma volta e ver as vitrines e tipo de roupa que elas exibem.
Sobre o preconceito com pessoas que se apresentam um pouco de peso. Taissa tem uma opinião formada. Para ela o verdadeiro praconceito está na própria pessoa que diz senti-lo. “Se você se gosta e se aceita acaba passando isso para as pessoas. Elas então passam a te respeitar também”.
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