Quando se fala em lei do menor esforço, vem à mente falta de empenho, preguiça, má vontade; a gente logo se imagina no balcão de uma repartição pública, esperando ser atendido pelo funcionário de cara amarrada que parece precisar de um guindaste para fazê-lo levantar a bunda da cadeira. Mas essa é uma visão deturpada, pois a verdadeira lei do menor esforço é uma estratégia para encarar problemas e solucioná-los da melhor forma possível, e não para fugir deles; significa versatilidade, agir por vontade própria, estimulado pela motivação e força interior, e não alavancado por pressão externa.
É um princípio para ser aplicado tanto na esfera profissional quanto na órbita pessoal e familiar. Sempre recomendo a leitura de livros de filosofia aos jovens que estão buscando seu lugar ao sol. Pode ser maçante no início, mas é ótimo para abrir a cabeça e aumentar o poder de raciocínio. Em certas atividades é indispensável boa capacidade de argumentação e de convencimento. No competitivo mercado de trabalho, as pessoas que se sobressaem são aquelas mais criativas, capazes de pensar e resolver problemas de forma inteligente, prática e rápida, que estão sempre prontas para enfrentar as situações, por mais difíceis que possam parecer.
Para capacitar-se, qualificar-se, tornar-se menos dependente, a pessoa precisa investir em si mesma, adquirir conhecimento. Significa que, naquilo que lhe compete, deve ela própria desincumbir-se, extrair de dentro de si mesma a força e o saber necessários para vencer os desafios, sem ficar sempre recorrendo a outras pessoas que digam: `faça assim, faça assado`. Dicas e conselhos de pessoas mais vividas e experientes são muito úteis, mas o acúmulo de experiência adquire-se com a prática.
Afastando-se a resistência interna, diminui-se o esforço na realização de certas tarefas. As pessoas sofrem só de pensar em ter de passar por certas situações, e por isso as evitam o máximo possível. É o caso de muitas gestantes. O parto natural é a forma correta de dar à luz, mas o medo da dor na hora do nascimento faz muitas gestantes optarem pela cesariana, e nisso elas são incentivadas por certos médicos, pois para eles é mais cômodo agendar o nascimento do que esperar a hora certa. Assim, a exceção vai virando regra em exemplo claro da errada aplicação da lei do menor esforço.
Reconhecer a soberania da natureza e adequar-se a ela, harmonizar-se com ela, ao invés de afrontá-la, é o espírito da lei do menor esforço, que nada tem a ver com desânimo, frouxidão, falta de vigor. Nada a ver com sacrifício zero, nem com vencer na vida sem fazer força. Menor, no caso, pode não ser sinônimo de pequeno. Menor esforço é o esforço necessário, realizado no momento apropriado. Resistir a certas tentações revela força e bom senso.
O prazer efêmero pode gerar males duradouros. Comer além da conta agrada momentaneamente o paladar, mas a obesidade que sobrevém não é nada agradável, muito menos passageira. Despende-se menos energia enfrentando as adversidades do que tentando fugir delas. O esforço que se evita antes pode gerar incômodos posteriores, que, para serem resolvidos, exigirão mais sacrifício. Quem faz mal feito, precisa fazer de novo. O meio mais fácil de livrar-se de um compromisso é cumpri-lo. Entender e praticar a lei do menor esforço é uma forma de ficar bem consigo mesmo e com o mundo.
Paulo Pereira da Costa
Promotor de Justiça e autor do livro `Pensando na Vida` – paulopereiracosta@uol.com.br
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