Despreparo homicida


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As reiteradas mortes violentas de cidadãos e cidadãs de qualquer idade, cor e sexo a que estamos assistindo diariamente nos noticiários, chegam a ser assustadoras, principalmente porque na sua grande maioria são de autoria de policiais militares ou agentes da segurança pública. Não se tem notícias de que alguma providência foi tomada pelo comando destes agentes, no sentido de melhorar ou aprimorar a capacidade dos mesmos no sentido de que quando em serviço ou não, diante de uma situação de risco, principalmente de morte, não só de bandidos como de pessoas inocentes, saber como se comportar ou optar pela decisão mais coerente e sensata, evitando sair dando tiros "à lá Dick Tracy". No mínimo, deveriam todos eles responder por homicídio culposo, porque agiram com imprudência e imperícia ou se excederam no exercício do direito de defesa própria ou de terceiros. Seus comandos deveriam responder da mesma forma, pela negligência em não capacitar melhor os comandados antes de os soltarem a policiar as ruas. Depois de ouvir entrevista de uma delegada de polícia que, ao atender a ocorrência fatal de acidente com uma criança, mesmo reconhecendo que se tratava de uma fatalidade, levou à prisão os pais, não por homicídio, mas por abandono de menor sob sua guarda, o que também, à evidência, não aconteceu no caso, desisti. Definitivamente, não me sinto seguro e amparado pelos responsáveis pela nossa segurança. A soltura dos pais por habeas corpus, para poderem assistir ao enterro da filha, me fez sentir mal. Outro caso ocorrido em pequena cidade da qual não me recordo o nome, mostrou o caso de um jovem, aparentemente portador de problemas mentais que, ao ser abordado por policiais militares, assustado, tentou desligar ou retirar o radinho portátil que portava debaixo da camisa. Foi estupidamente baleado. Ao correr para se salvar, deixou cair no chão o `revolver que falava` e foi traiçoeira e covardemente fuzilado pelas costas, vindo então a falecer. Estes são apenas alguns dos casos recentes, mas quantos e quantos outros, talvez até piores podem existir por ai, sem serem dados ao conhecimento público. Não posso e não quero comprometer toda a categoria de agentes da polícia civil ou militar, até porque existem muitos bons profissionais. Mas precisamos de uma grande reciclagem na escolha dos homens e nos métodos usados, senão enquanto se prende pequenos papagaios `gringos` nos aeroportos locais e se matam crianças e pessoas inocentes nas ruas, os grandes delinquentes de plantão e aqueles que traficam drogas ou praticam outros tipos de delitos, como os cognominados do colarinho branco, passeiam à vontade, como se fossem os próprios `Corleones` da vida, com seus lustrosos carros e charutos importados e fedorentos. Odorico Antônio Silva Advogado

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