O medo da dor, das complicações e do sofrimento prolongado têm feito a grande maioria das mães evitar o parto normal. Elas preferem os riscos de uma cirurgia a enfrentar o procedimento natural para terem seus bebês. Isso fez com que a taxa de cesarianas na rede particular de Franca chegasse a 87% em 2008. No primeiro semestre de 2009, o índice permaneceu neste patamar. Até junho, 83% dos nascimentos nos hospitais São Joaquim/Unimed e Regional foram por cirurgia.
Os índices de Franca são bem próximos dos nacionais. No ano passado, 84,5% dos partos no setor privado do País foram cesáreas. Mas essa taxa contraria a OMS (Organização Mundial da Saúde) que recomenda que as cesáreas não ultrapassem os 15% dos procedimentos realizados.
A Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia determina que a paciente escolha o tipo de parto. Para a ginecologista Ana Lúcia Rodrigues, médica do Hospital Unimed e coordenadora do Comitê Materno-Infantil de Franca, a decisão deve ser auxiliada pelo obstetra. A mãe precisa ter todas as informações sobre os tipos de parto e ser orientada a ter cuidados durante a gravidez para um nascimento bem-sucedido. “A gestante tem que confiar no médico e precisa receber esclarecimentos sobre os benefícios de um parto normal”, disse.
Segundo Ana Lúcia, no parto normal, a frequência dos dois maiores riscos que envolvem o nascimento - hemorragia e infecção - é menor. “As histórias negativas de parto normal ficam na mente das pacientes e elas se sentem ameaçadas. Hoje a saúde evoluiu. Trabalhamos com muita segurança. Não prolongamos a dor, se precisar, fazemos cesárea”. O tempo do parto normal depende da gestante e pode durar horas. Em condições normais, a cesariana acontece em 40 minutos.
Em 2004, a ANS (Agência Nacional de Saúde) iniciou campanhas de incentivo ao parto normal. A médica Martha Oliveira, gerente geral da instituição, afirma que vários fatores fazem a rede particular do Brasil ter alta taxa de cesarianas. “Do fator cultural, seja o desejo da mãe ou mito existente sobre parto normal, até o trabalho da equipe nos hospitais. São multifatores, por isso a mudança é um trabalho que deverá ser feito a longo prazo”.
Ninguém fala abertamente, mas um dos maiores empecilhos para o aumento de partos normais estaria na agenda do médico. Como o acompanhamento no caso da cesárea é mais rápido e pode ser programado com antecedência, os obstetras preferem indicar a suas pacientes a cirurgia. Além disso, o valor pago pelo hospital por procedimento cirúrgico seria maior. Em Franca, no Hospital Regional não há diferença de preços. Na Unimed, o ganho é 20% maior com a cesárea.
Os núcleos regionais da ANS, no caso de Franca, o de Ribeirão Preto, participarão do trabalho em favor dos partos normais. “Tentamos informar a importância do parto normal e os prejuízos que uma cesárea mal indicada pode trazer ao bebê. Temos percebido alto índice de internação neonatal que não precisariam estar ali se tivessem nascido no momento certo”.
Na Santa Casa de Franca, os partos normais representam mais da metade nos nascimentos. Existe um trabalho feito junto à equipe para incentivar esse tipo de procedimento.
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