A família de um menino de 11 anos, morador no Parque do Horto, acusa a Santa Casa de negligência em atendimento médico dispensado à criança. Na tarde da última segunda-feira, ele teve o intestino perfurado pelo galho de um arbusto enquanto brincava em uma praça do bairro.
A planta teria provocado um ferimento descrito até então como próximo ao ânus do menino. "Ele foi pular de um banco por sobre a arvorezinha e caiu. O galhos furaram a bermuda e um ficou preso lá (no corpo do garoto). Eu puxei e depois ele passou a mão na bunda. Estava cheia de sangue", contou uma das crianças que brincavam no local.
Sangrando, o garoto foi levado por parentes ao Pronto-Socorro "Dr. Janjão". De lá, perto das 21 horas, a criança foi encaminhada à Santa Casa para a realização de uma cirurgia de urgência. A necessidade de tal procedimento está registrada no documento enviado à Santa Casa, segundo Alexandre Ferreira, secretário municipal de Saúde. Já havia suspeita de perfuração do intestino.
Ao chegar no hospital, no entanto, a criança foi examinada e liberada com a recomendação de que procurasse o NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) no dia seguinte.
De acordo com a Santa Casa, "o cirurgião fez o exame de toque e nada constatou, por se tratar de um ferimento muito pequeno, milimétrico. (...) Foi feito também o exame físico e o quadro geral foi considerado normal". (leia mais em texto abaixo).
Só que ao longo da terça-feira, o quadro clínico do menino se agravou. "Ele começou a sentir dores e apresentou febre, mas só conseguimos ser atendidos no NGA às 17 horas", afirmou uma tia que acompanhou a saga da criança.
Em seguida, após novo encaminhamento, o paciente foi internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) do hospital. Foi quando passou pela primeira cirurgia de colostomia - para colocação de uma bolsa para recolhimento de fezes. Na manhã de ontem, nova intervenção fez-se necessária para conter uma hemorragia interna e, à noite, o menino continuava internado no CTI. De acordo com o hospital, seu estado de saúde é estável.
<b>REVOLTA</b>
Inconformada, a família procurou por duas vezes o Plantão Policial. Ontem pela manhã, a gravidade do estado de saúde da criança fez com que o Conselho Tutelar acionasse a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).
"Os BOs e a comunicação do Conselho nos levou a ouvir os familiares e três amigos da criança que brincavam no local. Ficou claro e depois comprovado pelo exame de corpo de delito que o ferimento é compatível com a história relatada pela criança.
Dessa forma foi afastada qualquer hipótese de crime sexual", disse a delegada da unidade, Graciela David Ambrósio.
Ainda de acordo com a policial, a família quer que haja uma investigação sobre o caso já que acredita que com a situação, a criança correu risco de morte. "Vamos abrir um inquérito para apurar uma eventual negligência ocorrida no atendimento pretado pela Santa Casa ao menino", esclareceu Ambrosio.
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