Hoje completa uma semana que a auxiliar de pesponto Renata Domingos da Silva Ramos, 42, está sofrendo com dores na coluna. O problema é tão sério que Renata não consegue sequer andar sozinha ou se virar na cama. Também precisa da ajuda do marido ou da filha para sentar e levantar. O martírio vivido por ela não tem data para terminar. As consultas com ortopedistas na rede pública demoram até quatro meses para serem realizadas. Segundo o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, apenas seis especialistas são responsáveis por fazer de 150 a 180 consultas por dia.
Na segunda-feira, Renata foi consultada pelo clínico geral na UBS da Vila São Sebastião e acabou encaminhada para o ortopedista. A surpresa foi quando descobriu na recepção da unidade que os agendamentos com o especialista estão suspensos até dia 10 de agosto. Renata disse que não aguentará esperar tanto tempo. “Vou ter de esperar até lá e depois mais um mês, até setembro, para ser atendida. Não vou suportar porque a dor é muito forte, dá muita pontada”, disse, chorando.
O Comércio ligou em oito das 14 UBSs da cidade e em seis delas há vagas na área de ortopedia somente a partir de setembro. Em algumas, as marcações chegam a ser feitas só para novembro. Se for considerado caso urgente, o atendimento demora no mínimo uma semana, segundo as recepcionistas. Em duas das UBSs consultadas - Vila São Sebastião e Estação - a cota de consultas com ortopedistas foi atingida e os agendamentos estão suspensos. Na primeira, a remarcação voltará só daqui 20 dias. Na outra, não há nem previsão.
Enquanto não consegue uma vaga, Renata tem passado os dias a base de medicamentos para aliviar as dores. Desde sábado, esteve cinco vezes no Pronto-Socorro “Doutor Janjão”. Ontem tentou internação na Santa Casa, mas não havia vaga. “Hoje (ontem) tomei soro e agora vou tomar um remédio para dor e voltar para casa. Não sei o que vai acontecer comigo. Antes eu tinha plano de saúde particular, mas agora não tenho mais como pagar. Me dá desespero depender dessa situação”. O problema dela foi diagnosticado há dois anos. “Tenho bico de papagaio, artrite e lombalgia crônica. Tem dias que eu grito de dor. Já faltei vários dias do trabalho”.
A pespontadeira Angélica Regatieri, 33, vive drama parecido com o de Renata. No dia 8 de maio ela agendou a consulta com ortopedista na UBS da Vila São Sebastião para o dia 17 de setembro. Ela já aguardou dois meses e terá de esperar mais tempo. “Ainda faltam dois meses para eu ser atendida. Já liguei na Secretaria de Saúde, mas me falaram que faltam médicos e não tem como antecipar a consulta. Até lá vou continuar com dores. Meu ombro está para um lado e a cintura para o outro”.
Outro gargalo da Secretaria de Saúde é a falta de oftalmologistas. A espera por uma consulta tem sido de dois a três meses. Por semana, são realizadas 450 consultas. A meta é atingir mil procedimentos semanais. O secretário Alexandre Ferreira disse que depende da contratação de mais médicos para amenizar o problema, encurtando o tempo de espera para um mês, nas duas especialidades (leia no apoio).
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.