Durante quase um ano, a dona de casa Maria Resende, 45, viveu com a ansiedade à flor da pele até conseguir uma vaga na Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional) em Franca. A filha dela Talita Dias Resende, 13, tem retardo mental e precisava de atendimento especializado, pois não acompanhava a aulas no ensino regular. Ela conseguiu uma vaga há três anos e meio. Mas, como Maria Resende, ainda hoje, outros 25 pais vivem a expectativa de conseguir atendimento na Apae. O tempo de espera na fila pode chegar a sete meses. A falta de recursos impede o atendimento imediato a toda demanda.
Os pacientes à espera, com idades entre zero a 20 anos, têm síndrome de Down ou retardo mental. A fila de espera já chegou a 120 pessoas. “Existe a demora em razão do atendimento da entidade ser de ação continuada, pois o paciente necessita de estimulação para toda a vida e não há como retirá-lo para ceder a vaga para outro”, disse a assistente social Sílvia da Silva.
Antes de serem inseridos nos projetos da Apae, os inscritos passam por triagem. Uma equipe de seis profissionais (neurologista, assistente social, psicóloga, fonoaudiologia, pedagoga e fisioterapeuta) é responsável pela avaliação. Têm prioridade crianças de zero a 5 anos e bebês de alto risco. “Um dia sem estimulação é muito tempo na vida das crianças. A demora pode fazer uma deficiência se agravar”.
A associação já trabalha acima de sua capacidade máxima, que é de 950 usuários. Até ontem, os serviços eram prestados a 972 pessoas. A expectativa é reduzir a fila de espera com o processo de inclusão dos deficientes na rede regular de ensino. No início do ano, 47 crianças foram encaminhadas pela Apae para escolas normais. “Assim serão abertas mais vagas e as chances de atender a demanda aumentam”, disse Sílvia.
O atendimento prestado é gratuito. Do total de usuários, 600 frequentam a escola e os outros fazem atendimento ambulatorial com fonoaudióloga e fisioterapeuta. A entidade também oferece ecoterapia, hidroterapia e acompanhamento com psicóloga e assistente social. A Apae possui 160 funcionários e outros 30 cedidos pela Prefeitura.
O gasto mensal por aluno da escola é R$ 405. As despesas são pagas com repasses dos governos municipal, estadual e federal. A Apae também conta com doações da comunidade e realiza promoções para manter os serviços. O próximo evento beneficente será a Noite Apaexonada, que acontece na próxima semana. “A Apae de Franca tem um compromisso com as pessoas com deficiência, porém o co-financiamento destes serviços por parte do poder público ainda é insuficiente, deixando a entidade em constante preocupação com sua sustentabilidade, dependendo cada vez mais de promoções”, disse a assistente social.
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