Um momento importante


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O respeito aos mortos faz parte da cultura de todos os povos. Se observarmos com atenção, verificaremos que alguns povos realizavam cultos demorados para homenagear aqueles que partiam. Desde a mais simples cerimônia, passando por rituais demorados e, até, a cremação, a partida de um indivíduo da sociedade era respeitada e motivava a celebração. Diante do acontecimento, instintivamente, os povos consideravam a possibilidade da sobrevivência do espírito. Era um momento muito importante do convívio social! Momento de reflexão, de introspecção, de meditação. Sobre a vida que se vive, que se viveu, sobre a continuidade da existência, sobre a existência do espírito; enfim, momento de alta filosofia. Os costumes, sabiamente, estabeleceram a duração de, pelo menos, um dia para se efetuar o sepultamento. O Espiritismo ensina que este prazo de 24 horas é muito importante para que se efetue o completo desligamento do espírito. Quando ocorre a desencarnação, uma equipe espiritual treinada é designada para efetuar o rompimento dos laços perispirituais que ligam o espírito ao corpo. O períspirito, como informa a Doutrina Espírita e podemos dizer, de maneira bem simples, é a roupa do espírito, o envoltório que reveste o espírito. Este envoltório, quando da reencarnação, é ligado fluidicamente ao corpo. Assim, quando da desencarnação, as entidades encarregadas de assistirem o desencarnante, providenciam o desligamento dos laços fluídicos. Por isso, é muito importante que o velório cumpra o prazo habitualmente estipulado de 24 horas. Durante este período os familiares poderão aproveitar a oportunidade para as reflexões acima mencionadas e, sobretudo, criarem um clima de serenidade, de paz, de oração, tudo visando ao benefício do espírito que está deixando a existência material. E, aqueles que participam do velório, de uma maneira ou de outra, podem muito contribuir para o bem estar espiritual do desencarnante mas, geralmente, não é o que ocorre. As pessoas utilizam dos momentos dedicados ao velório para tratar dos mais diversos assuntos. Política, futebol, economia, problemas sociais e, se não bastasse, muitos aproveitam para contar piadas muitas vezes indecentes. O ambiente, assim criado para o desencarnante não é dos melhores, e muito dificulta o trabalho que em favor do seu desligamento, caridosa equipe espiritual deseja realizar. Agora, reflitamos sobre o velório das pessoas importantes, famosas, ricas, o qual se transforma, no dizer de Carlos H. Conny, em verdadeiro show! Além de toda a pompa armada, aparentando demonstrar apreço pelo desencarnado, os sentimentos que presidem as manifestações são os mais desencontrados. Uns pensam na fortuna deixada e como farão para se apoderarem dela; outros julgam os supostos erros cometidos pelo velado. Outros ainda, invejam a posição social desfrutada pelos circunstantes. A maioria descuida das lutas, das dificuldades, das dores enfrentadas por aquele que está partindo. E também há os que aproveitam do momento para terem seus quinze minutos de fama. Os povos orientais, por seu turno, veem a morte do corpo como um acontecimento normal. Até festejam a partida! Vale lembrar o que dizia Confúcio, o sábio chinês: `Ao nasceres, todos riam, só tu choravas. Vive de tal maneira que, ao morreres, todos chorem, só tu rias`. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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