Persistência


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Vencida a resistência íntima de que falamos no texto anterior – Resistência –, resta enfrentar a resistência externa, ou seja, o conjunto de forças adversas, produzidas por agentes externos, que se interpõe entre nós e o objetivo que queremos alcançar; são obstáculos cuja existência independe da nossa vontade; para vencê-los precisamos de força positiva. As dificuldades serão maiores ou menores dependendo do saldo de força positiva que possuímos. Ou seja, quanto maior o esforço feito para afastar a resistência íntima, menos força positiva sobra para a luta contra os obstáculos externos, e, assim, maior a dificuldade para chegar ao objetivo almejado. Quanto menos a pessoa se desgasta no embate íntimo, mais disposição e energia tem para a batalha externa. Para não se cansar antes da hora, basta ter consciência da inerência dos obstáculos e de que não são insuperáveis, mas que para passar por eles é preciso muito mais do que dizer: `abracadabra`. Não são poucas as barreiras a transpor, e isso requer perseverança, persistência. Uma boa dica de filme a respeito: `A procura da felicidade`. Sempre que alguém bem-sucedido é perguntado sobre o conselho que daria àqueles que também pretendem chegar lá, a resposta é: `acredite, continue lutando, não desista`. Ou seja, tenha persistência; é a qualidade que entra em ação quando as dificuldades que se interpõem entre a pessoa e o objetivo são maiores do que as habituais; é o que pode tornar possível o que parece impossível. Para muitas pessoas o objetivo desejado está mais perto. É o caso de quem pode se dedicar apenas aos estudos porque tem o resguardo financeiro dos pais (`paitrocínio`). Bem diferente é a situação de quem, além de estudar, precisa trabalhar e cuidar da família, ganhar o próprio sustento. Não significa, porém, que o primeiro grupo tem o êxito assegurado e o segundo não. Ambos têm de dedicar-se. Mas é fato que para o segundo grupo há mais resistência externa e, sem dúvida, necessidade de mais persistência. Inevitável lembrar o `água mole em pedra dura, tanto bate até que fura`. Será que fura mesmo? Não creio. Acho mais provável a água secar. É óbvio que o ditado não pode ter interpretação literal. É apenas uma forma figurada de dizer que se deve ter perseverança, tenacidade. Cabeça é para pensar. Mesmo sendo perseverante, é preciso saber a coisa certa a fazer. Insistir na tática errada leva a nada. As ações têm de ser compatíveis com os obstáculos, ou seja, aptas a vencê-los. Deve-se reconhecer quando a estratégia utilizada não está dando certo e mudá-la. Passamos por portas porque não temos o poder de atravessar paredes. Há uma fase na vida em que se põe em jogo o futuro. É o vestibular com muito mais candidatos do que vagas, o concurso público disputadíssimo, etc. Nessa hora é necessário concentrar esforços, deixar de lado o que pode ficar para depois. Para modificar situações adversas é necessário acreditar em si mesmo e no que se tem a oferecer, ser humilde o suficiente para reconhecer as próprias deficiências e não medir esforços para superá-las. Nada de implorar, tentando despertar piedade, pois isso passa uma imagem negativa que não ajuda; nada de forçar a barra querendo usar a força quando a questão é de jeito. O que a gente quer conquistar, tem de fazer por merecer. Tem certas coisas que a gente precisa enfrentar e vencer, goste ou não goste. Por isso o negócio é se mexer, pois quem fica parado é poste. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro `Pensando na Vida` – paulopereiracosta@uol.com.br

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