Extremo apelo


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Aos meus descendentes tenho procurado passar a consciência de que a pressa deverá ser uma regra - obrigando às pessoas invariavelmente adotá-la - menor que a educação. Onde a pressa reina maior que a educação, haverá desrespeito, desentendimento crimes e violência. Articulistas deste jornal e seu noticiário local vêm manifestando profunda preocupação com as ocorrências no trânsito de Franca cujo trágico balanço se repete todos os dias. Em frequentes observações pelas ruas da cidade, constatamos com tristeza e sofrimento a deseducação acelerada que hoje qualifica nossa gente. É lamentável que tenhamos de admitir a coerção como único meio ainda disponível na cidade em mãos das autoridades para frear o estado de coisas vigente nas ruas e avenidas que somos forçados a usar no dia a dia. Seria muito bom despertar a parcela deseducada responsável por detrair nossa imagem de comunidade civilizada já desfrutada, no entanto, hoje maculada pelo bando imbecil com armas motorizadas a desafiar posturas de boa civilização. Em cidade como a nossa, nos dias de hoje, ser pedestre é desafio de alto risco, inibindo os mais corajosos de sair às ruas ainda que por absoluta necessidade. Recentemente nos revelava um amigo com alguma idade - no entanto de capaz locomoção - ter com pesar abandonado o costume do caminhar pela urbe por absoluto medo. Os absurdos atrevimentos de motoqueiros e seu desrespeito constante as normas de transito não nos permite somente a eles culpar, já que temos notado intemperança nas diversas classes de condutores de carros, caminhões, bicicletas e, incrivelmente, ônibus encarregados do transporte coletivo, onde profissionais pagos para cumprimento de missão deveriam cuidar zelosamente das vidas que transportam. A falta de consciência e a má educação se registra com facilidade em todas as categorias citadas. Impressiona o daltonismo operante em nossos cruzamentos equipados por semáforos - correto investimento do dinheiro público - com o fito de proteger vidas humanas. Os aloprados em sua boçalidade desconhecem o amarelo como sinal de atenção e, em muitos casos, o vermelho não impede uma passagem proibida e de grande risco. A cidade assiste diariamente nas ruas e avenidas apressados – doidão ou doidinha – em manifesto e brutal desvio da educação a bordo de carrões, costurando perigosamente no trânsito em ultrapassagem de risco para vidas (incluindo as suas). Apesar da velocidade permitida em vias públicas, – a meu ver generosa – de 60 quilômetros, muitos, com atrevimento e desrespeito às regras, excedem-na. Uma pergunta precisamente agora deve ser colocada: de quem a culpa? Das autoridades, dos motoristas, do exame psicotécnico, da inadequação da concessão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), da fiscalização, da falta de punição ou sua brandura? Urge reflexão sobre o problema e seus efeitos. Entre as soluções apontamos procedimentos coercitivos de pulso firme a curto prazo. Em longo prazo, inclusão no ensino básico de matéria concernente a trânsito, atrelada ao social e cidadania. Extremo apelo à sociedade: não permitamos que as estatísticas apontem-nos em primeiro lugar na falta de educação no trânsito. Aos empresários sugerimos confecção de adesivos para veículos com os dizeres da redenção: "Minha Educação é bem maior que minha Pressa". Garcia Netto Jornalista

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