Quando uma pessoa coloca sua opinião sobre determinado assunto, seja ao "pé de ouvido" de alguém, seja numa página de jornal que vai alcançar milhares de leitores, precisa saber a exata dimensão do que diz e, principalmente, deve ter conhecimento de causa. Parece não ter sido esse o crivo usado pelo leitor Adoniran "Dino" Thomaz, na edição de domingo, 5 de julho, deste Comércio. Com isso, algumas afirmações suas, porque distorcidas, não sendo replicadas poderão gerar desinformação. Conselhos Tutelares são órgãos de defesa dos direitos da criança e do adolescente, criados e regulados em seu funcionamento à luz de lei federal. No caso de Franca, os conselheiros foram selecionados para mandato de 3 anos por um colegiado espontâneo (vota quem quer, desde que inscrito numa das seções eleitorais do Município) composto por quase 10 mil pessoas. Portanto, não foi escolhido por um grupo de amigos. Para candidatar-se, e se submeter a um processo público de seleção (isso é uma modalidade de concurso) a pessoa precisa comprovar, dentre outros quesitos, ter conhecimento e envolvimento de pelo menos 2 anos em algum segmento de defesa dos direitos da criança e do adolescente e ter domínio do conteúdo do Estatuto da Criança e do Adolescente, portanto, todos os conselheiros tutelares (os atuais e os seus antecessores) são pessoas preparadas e fiscalizadas em seus atos pela própria sociedade, pelo Ministério Público e pela Justiça, com atendimento ininterrupto nas 24 horas do dia, todos os dias da semana. Não ocupam, então, nenhum cabide de emprego. Seu limite de atuação é na defesa dos direitos dos cidadãos que ainda não completaram 18 anos (assim como o leitor Adoniran, a quem replico, tem direito à defesa dos seus direitos), de modo que as situações em que o adolescente fere os direitos de alguém, fogem da alçada do Conselho Tutelar e passam a ser tratadas pela Promotoria de Justiça e pelo Juiz de Direito, nos limites da lei. Acredito que o leitor seja um apaixonado pela defesa dos direitos e deveres de seus filhos, caso os tenha, de modo que poderá estender sua paixão também aos demais filhos da nossa comunidade. Assim, sugiro que fique atento aos prazos de inscrição e, caso preencha os quesitos do edital, candidate-se. Tendo um trabalho interessante em alguma área de atendimento à criança e ao adolescente, é possível que seja reconhecido por algo em torno de 900 a mil pessoas (amigos ou não) e será um dos próximos conselheiros tutelares, se estiver entre os cinco primeiros da lista de votação. Se não se sentir preparado ou com vocação, fale com alguém em quem confie e goste de trabalhar em equipe, incentive a candidatura. Franca, que é uma cidade de muitas obras sociais e humanitárias, tem um Conselho Tutelar reconhecido nacionalmente pelo seu desempenho e essa qualidade deve ser mantida, pois há muita gente preparada para esse trabalho.
José Roberto Chagas
Franca - SP
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