Nos seis primeiros meses deste ano a polícia mandou para a cadeia 188 pessoas acusadas de tráfico de drogas em Franca. Em média, uma prisão por dia. Além dos traficantes, as ações realizadas pelas polícias Militar e Civil também tiraram das ruas perto de 35 quilos de entorpecentes. De acordo com a polícia, os trabalhos de caça a quadrilhas especializadas na distribuição de drogas e de patrulhamento ostensivo em "biqueiras" (pontos de venda de entorpecentes) são os que mais mandam gente para a Cadeia Pública do Jardim Guanabara. Dos cerca de 250 homens recolhidos, 80% são traficantes.
Os números levantados pelo Comércio junto à Polícia Civil de Franca se referem a 112 flagrantes realizados entre janeiro e junho deste ano. Pedro Luiz D`alaqua, delegado adjunto da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), atribui a maior parte dos flagrantes à ação da Polícia Militar. "O efetivo da PM é bem maior que o nosso e por isso age em diversos locais. Ela vem realizando um bom trabalho no combate ao tráfico. Isso nos ajuda a agir numa outra frente de batalha", disse D`alaqua.
A maior apreensão de drogas deste ano ocorreu em janeiro. Soldados da Força Tática PM prenderam o traficante RPL, 29, apontado como principal distribuidor de maconha na Vila Santa Cruz. Ele foi preso com 30 quilos da droga e meio quilo de cocaína pura.
Enquanto a PM age no patrulhamento preventivo pela cidade, a Polícia Civil concentra suas ações no desmantelamento de grupos organizados. Escutas telefônicas e monitoramento dos traficantes resultaram na descoberta de quadrilhas, responsáveis pela distribuição de drogas nas ruas da cidade.
Só nos últimos dois meses, agentes da Dise desbarataram duas redes de distribuição de drogas em Franca e mandaram oito traficantes para a cadeia. Em maio, quatro pessoas - uma delas de 16 anos - foram denunciadas à Justiça, acusadas de integrar uma quadrilha controlada por um preso da cadeia de Serra Azul (SP).
Na semana passada, uma fugitiva da penitenciária de Butantã (SP), RCS, 27, se instalou em Ribeirão Preto e, de lá, segundo a polícia, controlava oito pontos de venda de entorpecentes em diversos bairros de Franca. Além dela, outras duas mulheres e um homem foram presos por associação ao tráfico. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça levaram a polícia à descoberta de um carregamento de meio quilo de crack que chegaria à cidade no último dia 4. A ação dos bandidos foi interceptada pelos policiais. "Com a prisão dos bandos organizados, conseguimos fazer com que eles demorem a se articular novamente. Não podemos dizer que o foco foi eliminado. É uma batalha constante", disse o delegado.
<b>DENÚNCIAS</b>
As denúncias anônimas são as principais armas no combate ao tráfico de entorpecentes. De acordo com a polícia, em média são recebidas no disque-denúncia da Dise cinco ligações por dia. As informações geralmente apontam o surgimento de um novo ponto de tráfico ou delatam ações de distribuidores. "Para fazer prisões em flagrante precisamos pegar o traficante com a droga. Para isso dependemos das denúncias. Grande parte delas resulta em prisões", disse D`alaqua.
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