Pobres para ter liberdade


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Este título é forte e transmite a essência das leituras que serão proclamadas nas celebrações eucarísticas: o profeta Amós, a carta aos cristãos de Éfeso e o trecho do evangelho de Jesus Cristo escrito por São Marcos. A primeira leitura relata a atitude de um profeta chamado Amós diante da situação próspera do reino de Israel. Ali tudo vai muito bem: o comércio floresce, as ricas minas de cobre do Sinai estão em pleno funcionamento, foram introduzidas novas técnicas agrícolas, verifica-se uma autêntica explosão demográfica. Até a religião vai muito bem. É respeitada, praticada e incentivada. Todos os santuários estão repletos de fiéis, que vão para oferecer sacrifícios, cumprir suas promessas, participar das festas. Amós chega a Betel, onde está edificado o santuário mais importante do rei Jeroboão II. Esse, ao invés de se alegrar pelo bem-estar e a paz que reinam no país, começa a pronunciar palavras de fogo contra o rei, contra a religião, contra as classes dominantes, contra os latifundiários e contra os comerciantes. Por quê? Porque se deu conta que a grande prosperidade foi atingida ao preço de injustiças inaceitáveis. Arremete-se contra o luxo: os ricos vivem em palácios esplêndidos, “palácios de verão”, “palácios de inverno”, “casas de marfim”, casas com salas sem conta; banqueteiam-se com iguarias finas e passam de festa em festa. E onde buscam dinheiro para as suas orgias? Exploram os pobres, oprimem e maltratam os humildes, falsificam as balanças, fixam os preços a seu bel-prazer e vendem o miserável por um par de sandálias. E a solene celebração religiosa? É só mentira, aparência, formalismo. Para Deus não interessam as orações, os cânticos, o incenso e as festas; ele quer que se acabe com as desigualdades escandalosas, com a opressão, com as injustiças. É nesse contexto social e político que se insere o trecho da leitura. Diante das denúncias, o chefe dos sacerdotes do templo de Betel fica apavorado e tenta silenciar o profeta, ameaçando-o. Por sua vez, o profeta Amós, sem medo e dizendo que era livre, que não dependia do salário do rei, continua sua denúncia. E ainda acrescenta: quanto ao rei que acoberta toda esta corrupção, morrerá pela espada e Israel será conduzido para o exílio, longe da sua terra. Passados alguns anos, Samaria, a capital, caía sob os ataques do exército da Assíria. Esse profeta é um exemplo para todos aqueles que são chamados como mensageiros da palavra de Deus. Na medida em que não se prendem a recursos humanos torna-se possível ter liberdade para falar o que é necessário. A segunda leitura é o início da carta de Paulo aos cristãos de Éfeso. Abre-se com um longo hino de bênção a Deus pelas obras maravilhosas que ele realizou a favor dos homens. A “bênção” é a forma mais característica da oração judaica. No trecho de hoje encontramos uma destas”bênçãos”, exatamente o hino que começa com um louvor ao Senhor e prossegue narrando os seus inumeráveis benefícios. Da mesma forma que os primeiros cristãos, nós também somos convidados a entoar esse hino de bênção. Ao nosso redor, é verdade, surgem muitos acontecimentos dramáticos, até mesmo tragédias, há guerras, calamidades naturais, epidemias, infortúnios. Não obstante tudo, continuamos sempre manifestando nossa confiança em Deus, porque temos a certeza de que ele está realizando o seu sonho. O trecho do evangelho apresenta uma profunda lição: “Pobres para ser livres” poderia ser o lema que resume as condições estabelecidas por Jesus no evangelho de hoje para aqueles que são chamados, desapegados de tudo. Jesus envia os doze para uma missão, sem excluir ninguém. Isto quer dizer que a pregação do evangelho é tarefa reservada para todos. Os apóstolos são enviados dois a dois, não cada um por conta própria. Os cristãos não praticam sozinhos a própria religião; são chamados a viver a própria fé em comunidade. Aos apóstolos é conferida uma autoridade. Este poder se dá em função de dominar os “espíritos imundos”, assim chamadas todas as forças do mal, as forças que provocam doenças, que despertam maus sentimentos, que originam opressões, violências e injustiças. Em seguida Jesus apresenta o “equipamento” dos que evangelizam: uma só túnica, um só par de sandálias, um cajado e nada mais. O equipamento indicado pertencia aos pobres, expressando total despojamento. Jesus não despreza os bens deste mundo, não apresenta a miséria como ideal de vida, mas alerta para o perigo de nos deixarmos condicionar pela posse de bens materiais. No final Jesus fala da acolhida oferecida aos evangelizadores. Ele indica a se hospedarem na primeira casa que oferecerem. Indica um testemunho de vida sóbria. Se os rejeitarem, não devem insistir: ele ressalta a importância de se respeitar a liberdade dos outros. O desejo profundo de Jesus é encontrar no coração dos seus apóstolos interesse para ajudar os necessitados de paz e de ajuda fraterna. Como é valiosa a presença dos católicos nas diversas atividades sociais que o mundo oferece: creches, asilos, Ongs, etc. <b>SACERDOTES</b> O ano sacerdotal não é um ano “dos padres”, mas dedicado ao sacerdócio, que interessa à Igreja. Entre outras metas, são incentivadas as iniciativas de valorização do sacerdócio e da apresentação de uma imagem positiva do sacerdócio na Igreja. O ano sacerdotal se estenderá até junho de 2010. <b>PENSAMENTO</b> “O Senhor é meu Pastor, nada me faltará” (Sl 22). <b>José Geraldo Segantin</b> <i>Pároco da Catedral de Franca</i> segantin@comerciodafranca.com.br

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