Novidade sobre duas rodas


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<b>OPINIÃO</B> - José Rodrigues, 26, aponta a nova tecnologia como um caminho sem volta.
<b>OPINIÃO</B> - José Rodrigues, 26, aponta a nova tecnologia como um caminho sem volta.
Se você está pretendendo comprar uma moto ou comprou uma recentemente é provável que tenha notado a oferta de modelos com injeção eletrônica de combustível. O que é um item comum e quase obrigatório em carros de passeio e caminhonetes chegou ao universo das duas rodas. Os modelos mais vendidos entre os veículos de baixa cilindrada passaram a contar com a tecnologia. A responsável por isso foi a Honda que colocou o controle eletrônico em seus modelos de entrada. De janeiro até aqui, a montadora lançou a Bizz, a Bross 150 cc, a CG Titan 150 cc e a CB 300 cc. A XRE 300 cc, substituta da Tornado, chega em agosto. De quebra passou a oferecer aos seus clientes a Mix, modelo que pode receber álcool. Tal lançamento só foi possível em razão do desenvolvimento da tecnologia de injeção eletrônica. Mesmo não tendo sido a primeira a oferecer o dispositivo em motos abaixo de 400 cc - a Yamaha lançou em 2005 a Fazer 250 cc com injeção -, a Honda deve forçar uma revolução no mercado de duas rodas, pois as outras marcas serão “pressionadas” a segui-la. A tecnologia é uma evolução inevitável e deverá aposentar de vez o velho carburador. A revolução atingirá 80% do mercado. Em Franca, nos seis primeiros meses, segundo a Fenabrave (Federação Nacional Brasileira de Veículos), 1.348 motos foram emplacadas. 1.059 foram Honda. A principal alegação da marca para adotar o sistema é ecológica. A injeção eletrônica ajuda a cumprir uma legislação ambiental que prevê redução drástica na emissão de poluentes - Promot 3. A lei não obriga a adoção da tecnologia, mas este é o caminho natural para cumprir a lei sem baixar o rendimento dos motores. Em motos com alta cilindrada, a injeção já é adotada amplamente. A Yamaha possui a Fazer (250), Lander (250), XT660, MT-03, FZ6, R6 e R1. A Honda tem a Shadow 750, CBR600RR, CBR1000RR, Varadero e outras motos de alta cilindrada. A Suzuki tem motos injetadas em toda a sua linha acima de 650cc. A novidade é a entrada nos modelos de 150cc, responsável por praticamente 80% do mercado do país. Algumas marcas alegam que a tecnologia vai encarecer o produto final e por isso prefeririam baixar o rendimento dos motores para atender a legislação. Na ponta do lápis, mesmo que os recursos tecnológicos somem para o aumento no preço final da moto, o investimento pode compensar. Uma motocicleta de 150 cilindradas com carburador pode fazer até 42 quilômetros com um litro de gasolina* ou 35, com álcool. Com injeção, alguns proprietários das novas motos dizem rodar até 52 quilômetros com um litro de gasolina. A informação é de José Alves Rodrigues, chefe de oficina da Luana Motos. Economia, respeito ao meio-ambiente e praticidade na manutenção são os pontos destacados pelo mecânico. “Com um simples multiteste testamos todos o componentes. Isso simplifica nosso trabalho”, esclareceu. Eduardo Rodrigues, chefe de oficina da Hido Motos, faz coro. “O carburador dá mais trabalho, como reparo da boia de combustível, troca de vela, que sempre queima. A injeção ainda eliminou os afogadores e as famigeradas torneirinhas de combustível, sendo que qualquer defeito no motor ou nos sensores é logo acusado. “Para dar partida hoje é só girar a chave e esperar apagar a lâmpada”, disse ele. <b>COMO FUNCIONA </b> Em termos muito amplos, a injeção eletrônica é um mecanismo formado basicamente por sensores responsáveis por misturar ar e combustível e enviar essa mistura ao motor em quantidades exatas capazes de efetuar o deslocamento da moto. Em outras palavras, não há desperdício, diferente do que ocorre nas motos com carburação simples. Segundo Eduardo Rodrigues, se o motor precisar de 100 ml de gasolina para percorrer determinado trecho, serão gastos apenas os 100 ml e nenhuma gota a mais. Antes, o trabalho que era realizado pelo carburador. Nas motos mais antigas, ele recebe o vácuo do motor, que puxa o ar e o combustível para dentro dele. Antes disso a gasolina passa por um calibrador, que é o giclê, com tamanho fixo e que libera uma pequena quantidade de combustível. A injeção eliminou o giclê, substituído por bicos injetores. Como o giclê tem sempre o mesmo tamanho, nas motos com carburador a quantidade de combustível usado na mistura será proporcional ao vácuo gerado. Mais vácuo, mais gasolina. Menos vácuo, menos gasolina. Na prática é o piloto quem vai determinar quanto de vácuo será empregado ao fazer suas acelerações. Para que aqueles que só andam no “gás”, o raciocínio é lógico, com muito mais vácuo gerado e, com isso, maior consumo. *Consumo depende de condições de terreno, inclinação e velocidade. Em condições ideais, velocidade de 80 quilômetros por hora e seis mil giros.

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