Resistência


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Temos uma certa resistência a mudanças, e é um contrassenso, pois: "Nada do que foi será / De novo do jeito que já foi um dia / Tudo passa / Tudo sempre passará / (...) Tudo muda o tempo todo no mundo..." (`Como uma onda`, de Lulu Santos e Nelson Motta). Se o mundo muda, a gente também tem de mudar. Muita gente sonha com uma vida melhor, mas não conhece a maneira mais adequada de enfrentar os obstáculos, que parecem intransponíveis. Na maioria das vezes, o que torna insuperáveis os obstáculos é a imagem errada deles na nossa mente. Ora os vemos grandes demais, e isso nos traz desânimo, ora menores do que são, o que nos leva a um preparo insuficiente. Ter a exata noção do tamanho dos obstáculos é a melhor forma de saber o que é necessário fazer para superá-los. Isso, às vezes, requer uma mudança de mentalidade. A resistência que temos na mente precisa ser afastada para que a mente fique livre. Resistência é uma força contrária. O conflito de duas forças opostas pode resultar na anulação de ambas, o que para a mente é um desastre. A mente comanda as ações e precisa de força positiva para gerar liberdade de movimentos. Quanto maior a resistência interna, maior o gasto de energia e de tempo para fazer alguma coisa. Algo simples e fácil torna-se desgastante. É como acelerar o carro com o freio de mão acionado. O que alguns consideram um sacrifício, outros veem como oportunidade. Trabalhei num banco em que havia certo estímulo - para não dizer pressão - a que os funcionários vendessem seguros mediante ganho de uma comissão. A maioria não gostava e resistia à ideia de importunar clientes oferecendo-lhes seguro de vida, e tal incumbência era um fardo. Alguns, porém, viam nisso uma oportunidade de mostrar versatilidade e obter ganho extra, e assim, sem nenhum receio, ofereciam o produto. E quer saber? Vendiam. Não estou querendo contar vantagem; eu fazia parte da maioria. Pessoas permanecem em empregos de que não gostam porque, para mudar, têm de vencer a inércia e aprender coisas novas, diferentes daquelas a que já estão acostumadas, mas resistem intimamente. O bom senso deve dizer quando ceder e quando resistir, pois é a melhor forma de livrar-se de certos dilemas. Quem tem a mente livre descomplica a vida, compreende os fatos inerentes à existência, sabe que não adianta ficar chorando o leite derramado, nem nutrir maus sentimentos, nem resistir à necessidade de seguir em frente. Manter-se preso ao que deve ser deixado para trás é limitar o porvir, é reduzir horizontes. A escuridão não resiste quando a luz pede passagem, e assim não há razão para não clarear a mente. Há situações em que, ao invés de lamentar, devemos dar graças a Deus pela oportunidade de mudar. As mudanças a que me refiro são as necessárias para não ser uma pessoa desqualificada e em eterno conflito com a vida. Tem coisas atemporais, virtudes, que serão amanhã como foram ontem, e devem ser conservadas. Quem é honesto não vai deixar de ser só porque vê por aí certos picaretas levando vantagem. Hoje como sempre, se não posso cumprir não prometo; o que não é completo, é fração; grupo de cinco é quinteto; lazer é distração; alvinegro é branco e preto; para não enferrujar, é preciso ação, mexer o esqueleto; ninguém quer experimentar a sensação de que com o tempo ficou obsoleto. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro `Pensando na Vida` – paulopereiracosta@uol.com.br

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