A reportagem do Comércio apurou que o trânsito de Franca está sem fiscalização eletrônica móvel. Há um mês os radares eletrônicos móveis não estão funcionando. Pelo menos três fontes - uma ligada à PM e outras duas à prefeitura - confirmam a suspensão do uso dos aparelhos.
Um policial militar, que pediu para ter seu nome preservado, disse que o relaxamento na fiscalização da velocidade dos motoristas francanos se deve à falta de viaturas para efetuar o transporte dos equipamentos. A Polícia Militar usava um veículo próprio para levar os radares até os pontos de fiscalização. Há algumas semanas isto teria deixado de ser feito, pois o uso do automóvel estaria prejudicando o atendimento diário de ocorrências da Corporação.
O PM revelou que a Corporação também estaria insatisfeita com comentários feitos por alguns vereadores de que haveria uma indústria de multas na cidade e que cada policial teria uma cota diária de autuações a cumprir. “A PM usava viatura e combustível próprios para dar multa à Prefeitura. Ainda assim levava pau de todo mundo. Por isto, decidiram recolher os radares até receber uma viatura apropriada da prefeitura”, disse ele.
A reportagem tentou ouvir os oficiais da Corporação para detalhar a situação, mas em razão do ponto facultativo adotado nas repartições públicas estaduais, o setor administrativo da PM não trabalhou ontem, o que impediu o contato. O capitão Wellington, comandante da Força Tática, que engloba o pelotão de trânsito de Franca, está em um curso em São Paulo e disse que não tinha informações a respeito.
NA PREFEITURA
Duas fontes ligadas ao gabinete do prefeito concederam entrevista e confirmaram a suspensão dos serviços. Ambos falaram sob a condição de também não terem seus nomes revelados.
Sérgio Buranelli, secretário de Segurança e responsável pela Divisão de Trânsito da Prefeitura municipal disse que manterá contato, na próxima semana, com o pessoal de trânsito da PM para saber o que está acontecendo mas não descartou a hipótese da falta de veículos. “Deve ter havido um problema na frota da PM, já que os veículos funcionam 24 horas por dia e têm os desgastes naturais”, esclareceu.
NÚMEROS
Outro indício de que os radares realmente não estão funcionando são os números obtidos pelo Comércio. Desde que foram ligados, no sábado de Carnaval, os radares flagraram 2.026 infrações de trânsito - uma média de 405 autuações por mês,
Em maio, último mês com fiscalização normal, foram 551 infrações registradas. Em junho, período que coincidiu com as audiências realizadas na Câmara para apurar supostos abusos por parte dos policiais, foram apenas 88 multas.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.