O cálculo de custo foi sempre o calcanhar de Aquiles da indústria de calçados. Tenho autoridade para falar sobre o assunto porque, além de apresentar numerosos cursos sobre cálculo de consumo e de custo, escrevi também um livro sobre o assunto.
Até hoje é o único livro na língua portuguesa sobre estes assuntos. Infelizmente esta esgotado e, hoje, me arrependo de tê-lo escrito. Por quê?
Em 1998, o guru dos managers americanos, Peter Drucker, escreveu livro com título em tradução livre, algo como `Os desafios para gerenciamento no terceiro milênio`. Mandei vir o livro e me assustei quando o li, porque Drucker colocou toda a teoria da formação de custos e de preços de venda de pernas para o ar. Não que ensinasse fazer custo, mas apresentou as idéias e princípios onde definiu claramente o que chamou de custo para o 3º milênio.
O enunciado dele pode ser resumido em duas frases: "O lucro não é uma porcentagem arbitrária sobre um faturamento hipotético. Lucro faz parte do custo como um insumo qualquer!". É óbvio que a própria definição do lucro, do tamanho do lucro, já é um assunto complexo por si mesmo. Mas quem quer ser empresário de sucesso no 3º milênio, deve tomar conhecimento da matéria.
Esta filosofia ainda não encontrou eco entre os empresários da indústria de calçados, embora nossos concorrentes asiáticos já calculem assim e tornem-se ainda mais difíceis de combater. Também fica claro que para se obter um cálculo de custo competitivo, toda a cadeia produtiva deveria adotar cálculo de custo do 3º milênio, a partir dos frigoríficos que vendem couros crus, passando por fabricantes de solados, de formas, de cartonagens e toda a cadeia dos fornecedores dos restantes ítens.
Mas enquanto este desejo não se realiza, não resta outra opção a não ser os próprios empresários calçadistas começarem a aplicar cálculos, que de qualquer modo os farão mais competitivos e facilitarão a condução das empresas. Acredito que levará muito tempo e será necessária a ação de muitos empresários jovens, que terão coragem de enfrentar este desafio e acabar com a ilusão de lucro como último ítem da planilha de custos, mas que nunca, repito, nunca, se realiza!
Basta lembrar o caso de empresário de Nova Serrana, em cuja empresa implantei controle de resultados através da contabilidade de resultados. Quando a funcionária apresentou os resultados dos primeiros quatro meses do ano (foi no mês de maio) com faturamento de R$ 2,1 milhões para um lucro de R$ 17 mil reais – ou seja, tinham trabalharam quatro meses de graça –, parecia que ia começar um terremoto.
`Me explique isso aí!`, o empresário me pediu. `Não tenho nada a lhe explicar. Você é que deve uma explicação a mim, sobre como dirige a sua empresa`, foi a minha resposta. Não havia resposta plausível. Era uma clara falha de gestão. O lucro que deveria existir de acordo com a planilha de custos, simplesmente, não existia.
Várias medidas foram tomadas, como melhores controles financeiros, controles de despesas e de compras foram implantados e, hoje, o lucro está de acordo com o desejado, fazendo parte integrante do custo.
Esta história se repete `ad infinitum` e é aceita com absoluta naturalidade pelo empresariado. Lucro na planilha de custos é estipulado em 10 ou 15 ou 20% para resultar, no fim do ano, em lucro real de 5 ou 7 ou 9%. Que seja assim, mas o perigo real está no fato, de que durante o ano o dinheiro é gasto presumindo-se que o lucro sobre o faturamento realmente represente 20%, e a festa continua sem maiores preocupações, mesmo sabendo-se, por experiência, que o lucro esperado nunca será atingido.
Como determinar o lucro a ser atingido? Existem várias técnicas para determinar o lucro a ser alcançado que servem, inclusive, para avaliar o grau de eficiência do gerenciamento de uma indústria de calçados. Mas este já é um assunto bastante técnico que não se enquadra bem numa coluna semanal. Que sirva pelo menos de alerta, como mais um assunto que a marcha do tempo já superou.
<b>FALSIFICADOS EM ITÁLIA</b>
A polícia italiana descobriu fabricantes na região de La Marche e apreendeu 10 pares de calçados falsificados com a marca chinesa Hogan. Na cidade de Ascoli Piceno, achou ferramentas legítimas (devem ser clichês) desta marca.
<b>APENAS DUAS MÁQUINAS</b>
O movimento anual da Bata Índia em 2008 excedeu 10 bilhões de Rupias (USD 212 milhões), de acordo com dados apresentados em Assembléia Geral, recentemente por Mr. P. Sinha, presidente da empresa indiana. Disse disse que a empresa está entrando no setor militar, provendo com calçados de segurança que, aliás, já fabricava, mas para o setor da construção. Com aquisição de mais duas máquinas, se habilitou a atuar num novo segmento.
<b>PRIMEIRA QUEDA</b>
A exportação dos calçados chineses caiu 8% em abril – comparativamente com março – tanto em pares como em valor. Durante os primeiros quatro meses de 2009 a China exportou 2,5 bilhões de pares no valor de USD 7,8 bilhões, declínio de 7,2% e 2,1% respectivamente. No total, a importação de calçados caiu 5,8% para 11,41 milhões de pares e 2,5% em valor, para USD 220 milhões durante os quatro primeiros meses de 2009. A importação de calçados de couro baixou 20% em volume para 4,7 milhões de pares e 7,7% em valor para USD 140 milhões. Como noticiado, esta foi a primeira queda do valor da importação, desde 1999.
<b>Zdenek Pracuch</b>
<i>Sapateiro, shoemaker</i>
pracuch@comerciodafranca.com.br
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