Projeto quer dar suporte a pacientes com anemia


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<b>NECESSIDADES</b> - Em sua casa, Valdete Aparecida da Silva cuida do filho Leonardo, que tem anemia falciforme e, aos 11 anos, não fala nem anda
<b>NECESSIDADES</b> - Em sua casa, Valdete Aparecida da Silva cuida do filho Leonardo, que tem anemia falciforme e, aos 11 anos, não fala nem anda
Aos cinco meses, Leonardo da Silva foi levado às pressas para o hospital. Estava vomitando, com as unhas e a boca roxas e o pé inchado. Valdete Aparecida da Silva, 35, sua mãe, pensou que havia sido picado por um inseto e estava com alergia. Ledo engano. Quinze dias depois, exames de sangue revelaram que o menino tinha uma doença genética grave incurável, chamada anemia falciforme. Leonardo chegou a dar alguns passos e balbuciar palavras, mas seu estado de saúde se agravou. Com apenas 7 anos sofreu um derrame. Hoje, aos 11, é totalmente dependente. Vive sobre uma cadeira de rodas, usa fraldas, não fala e tem dificuldades para engolir. Também sofre com pneumonias frequentes. Para orientar pessoas como Valdete, que têm filhos ou parentes com anemia, foi criada há 12 anos a Associação dos Amigos e Portadores de Hemonoglobinopatias de Franca. Para ampliar seus trabalhos, a entidade firmou parceria com o Hemocentro e, desde outubro de 2008, acompanha pacientes da região, com tratamento especializado. Antes, dependiam da rede pública, mas há apenas um hematologista para atendê-los. Até o momento, 45 pessoas fazem parte do projeto. A maioria é criança, entre 2 e 14 anos. Estima-se que na região existam 200 pessoas com anemia falciforme ou portadoras do traço falciforme, ou seja, com o gene que pode causar a doença. Segundo o Ministério da Saúde, por ano, cerca de 3.500 bebês nascem com a patologia no Brasil. “Entre as doenças genéticas é uma das mais frequentes. É uma questão de comparar. Em Franca temos 45 pacientes num universo de 320 mil habitantes com a anemia falciforme, o que é relativamente raro. Mas se compararmos com outras doenças, como a talassemia maior, que é uma forma de anemia grave também, temos somente dois casos na cidade”, disse Marco Antônio Benedetti, médico do Hemocentro. Não apenas os números assustam, mas o índice de mortalidade. Se não tratada, a anemia mata duas em cada dez crianças antes dos 5 anos pelas complicações que provoca. É uma doença genética e atinge mais pessoas da raça negra, pois teve origem na África, mas devido à miscigenação pode afetar brancos também. Os doentes possuem uma alteração que deixa a parede dos glóbulos vermelhos em forma de foice e não arredondada. Dessa forma, as células são destruídas mais rapidamente e provocam a anemia. Além da morte precoce, as células em forma de foice não conseguem se adaptar para passar pelos pequenos vasos sanguíneos e provocam obstruções neles. Por isso é comum a ocorrência de derrames ainda na infância. Os pacientes costumam ser acometidos por crises de dor. Em alguns casos duram até dez dias e demandam hospitalização. Os doentes têm feridas nas pernas e inchaços nos pés. “Os portadores chegam a ter 400 vezes mais chance de serem infectados pela bactéria pneumococos”, disse o médico. Há sete anos a expectativa de vida era pequena. Os pacientes viviam até 35 anos. Os tratamentos para amenizar as complicações da anemia têm permitido o aumento da sobrevida. “Os pacientes precisam saber reconhecer as complicações para tratar rápido”. A anemia falciforme é diagnosticada pelo exame do pezinho. O Hemocentro também faz exames do sangue doado por voluntários. “Se o pai e mãe tiverem o traço falciforme, os filhos têm 25% de chance de ter anemia falciforme. É preciso estar atento”.

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