Allan Kardec, o codificador do espiritismo, registra no texto básico, O Livro dos Espíritos, na questão número 200, a seguinte pergunta: Têm sexo os espíritos? Os espíritos instrutores responderam `não como entendeis...`. A resposta está perfeitamente de acordo com o entendimento humano, pois que nós entendemos sexo com morfologia. No entanto, para os Espíritos (a maiúscula é proposital) sexo significa sentimento de amor, afinidade, simpatia.
Ensinam, também, as entidades, que possuíamos `energia sexual`, que vai se manifestar na morfologia de acordo com as necessidades evolutivas do espírito. Significa dizer que, conforme as carências evolutivas que apresentemos, podemos reencarnar como homens ou como mulheres.
No processo de preparação reencarnatória, variável de acordo com a evolução individual, podemos programar as experiências que queremos/devemos enfrentar para efetuarmos a escalada evolutiva.
Se não temos condições para tanto, os nossos mentores ajudam-nos na mencionada programação. E pode ocorrer que sejamos levados à reencarnação sem que tenhamos apresentado nossa vontade a respeito. São as chamadas reencarnações compulsórias, efetivadas em benefício do próprio espírito. Pelo exposto, o espírito que hoje está num corpo feminino, amanhã poderá estar num corpo masculino e vice-versa. Reforçando o conceito, o espírito não é homem ou mulher. É espírito!
Orientam, ainda, as entidades, que toda reencarnação visa ao progresso do espírito e que ninguém reencarna para errar, para se comprometer; no campo da sexualidade, principalmente! Assim sendo, cabe perguntar por que alguns indivíduos apresentam anomalias na sexualidade, isto é, pendor psíquico ao sexo feminino, apresentando morfologia masculina ou vice-versa. Foi erro reencarnatório? Absolutamente. Antes, é preciso que analisemos as variáveis intervenientes.
O Espiritismo diz que aqueles que abusaram do sexo oposto poderão solicitar uma reencarnação na morfologia oposta a fim de se reequilibrarem ante os que prejudicaram. Também pode ocorrer de um espírito solicitar reencarnar numa morfologia diferente do seu psiquismo com a afinidade de se resguardar no cumprimento de uma tarefa específica.
Assim, o Espiritismo não é homófobo, por compreender que o que vale é o sentimento de amor que deve unir as criaturas. O que lamenta é a hetero ou homossexualidade promíscua, oriunda da ideia do prazer pelo prazer. Lamenta, ainda, a inconsequente propaganda do `assumir`, sem o devido esclarecimento de que somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e que, muitas vezes, o teste da nossa atual encarnação está, justamente, em combatermos em nós aquelas tendências que nos são prejudiciais.
No mais, que ninguém condene ninguém, porquanto, acima de tudo, está a consciência de que somos responsáveis pelo uso do nosso divino livre-arbítrio.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Idefran
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