O Marquês de Maricá disse certa vez: “Há muita gente infeliz por não saber tolerar com resignação a sua própria insignificância”. Em se tratando do continente inexplorado - a mente humana -, nunca se sabe até onde os traumas e as inseguranças podem conduzir a desatinos como os vividos tanto pelos pobres e simples mortais, como pelos famosos e bilionários.
Na vereda da desgraça, quanto mais rico, bonito e famoso, mais o atalho para a infelicidade se encurta. Não seria o caso de suscitar questionamentos acerca desse traço da personalidade humana? Se houvesse mais reflexão relativamente ao verdadeiro propósito e significado do existir, talvez fosse encontrada alguma pista que contribuísse para o entendimento e prevenção do sentimento de autodestruição vivido por tantas pessoas talentosas e carismáticas.
Em uma semana morreram duas pessoas, as quais, em que pesem a fama e o dinheiro que possuíam, não conseguiram viver de forma plena. Farrah Fawcett, que já foi considerada a mulher mais linda do planeta, viveu e morreu infeliz. Michael Jackson, Elvis Presley, Fred Mercury, também. Alguns bilhões de seres, que não são bonitos, famosos ou ricos, muitas vezes se declaram infelizes por atribuírem a esses fatores que lhes escapam a receita certa para a felicidade. Uma pessoa que não gosta da própria face e da própria etnia acaba por se destruir independentemente dos bens que possui e do que o dinheiro possa comprar.
É inevitável não se lembrar de uma passagem bíblica, na qual Jesus diz: `Eu te dou o que o mundo não te pode dar`. Isto transcende à própria questão religiosa e avança para o âmbito da psicologia. Aquilo que a humanidade tem como valor supremo não passa de lixo a entulhar tanto o planeta como a mente. Cristo sempre priorizou a busca do eu interior através do perdão, do amor incondicional, da misericórdia para com os defeitos alheios da autorreflexão. Nunca deveríamos ter tanta certeza acerca de nós mesmos. No continente distante e inatingível denominado mente, há veredas inexploradas. Não foi sem razão que à entrada do Templo de Delfos, em Atenas, havia a inscrição: `conhece-te a ti mesmo`. A civilização grega, através de seus pensadores, tinha como pertinente a busca do autoconhecimento. Ocorreram tantas revoluções desde então, mas nenhuma de caráter humano/emocional.
Jung disse certa vez com muita propriedade que, `a humanidade sofre de uma imensa carência introspectiva`. “A mente humana e cada espírito individual consiste para si mesmo na suprema ignorância”, afirma Edgar Morin. E continua: “A autoanálise é uma exigência primordial da cultura psíquica; deveria ser ensinada desde o começo do ensino fundamental para se tornar uma prática tão costumeira quanto a cultura física. Seria muito oportuno os pais refletirem sobre suas contribuições acerca da formação dos próprios filhos. Da mesma forma seria importante se todo indivíduo se autoavaliasse incessantemente. Compreender com a consciência da complexidade e dos desvios humanos, com a abertura à magnanimidade e ao perdão, resistir aos julgamentos a partir de critérios exteriores, significar apropriar-se do Bem e pôr fim ao conflito de valores`. E olhem que Morin estuda o ser humano há muito tempo...
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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